Erro da Força Aérea permitiu que o atirador tivesse acesso legal a armas

O organismo militar reconheceu que houve um erro e afirma que irá investigar a existência de mais casos semelhantes.

A comunidade perdeu 4% da população no ataque
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A comunidade perdeu 4% da população no ataque LUSA/Larry W Smith
Esta segunda-feira, a comunidade de Sutherland Springs organizou uma vigília em memória das vítimas
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Esta segunda-feira, a comunidade de Sutherland Springs organizou uma vigília em memória das vítimas LUSA/LARRY W. SMITH
Foram iluminadas 26 cruzes em memória das vítimas
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Foram iluminadas 26 cruzes em memória das vítimas LUSA/LARRY W. SMITH
A vítima mais nova tinha apenas 18 meses e mais velha tinha 77 anos.
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A vítima mais nova tinha apenas 18 meses e mais velha tinha 77 anos. LUSA/LARRY W. SMITH
O atirador tinha um historial de violência doméstica
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O atirador tinha um historial de violência doméstica LUSA/LARRY W. SMITH

Devin Kelley, o autor do ataque que matou 26 pessoas nos Estados Unidos, devia ter sido referenciado pela Força Aérea para que não tivesse acesso a armas. Não aconteceu, como foi admitido na segunda-feira, um dia depois do massacre numa igreja baptista em Sutherland Springs, no Texas.

A Força Aérea admitiu que falhou um procedimento de segurança, uma vez que Kelley foi afastado do serviço militar depois de ter sido condenado por violência doméstica. O procedimento normal deveria ter sido incluir o seu nome numa base de dados que bloquearia o seu acesso à arma que usou para matar as 26 pessoas.

Segundo a lei federal, o facto de Kelley ter sido condenado por violência doméstica contra a sua mulher e enteado - partiu a cabeça à criança -, devia ter sido impeditivo do seu acesso livre e legal a armas.

As autoridades revelaram que foram encontradas três armas na cena do crime e no veículo de Kelley: uma pistola de 9 mm, um revólver de 5,6 mm e a arma semi-automática que terá sido usada.

No último ano, Kelley comprou armas duas vezes na loja Academy Sports + Outdoors, o que significa que, em ambas, o seu nome foi introduzido no sistema de verificação de registo criminal, com base numa lista do FBI, e nenhum alerta foi devolvido. A mesma loja enviou as condolências às famílias das vítimas e a toda a comunidade de Sutherland Springs, numa mensagem partilhada na sua página de Facebook.

A falha irá agora ser investigada pela Força Aérea, é afirmado num comunicado citado pela Reuters. O documento diz ainda que irá procurar casos semelhantes, de condenações de membros da Força Aérea, que não tenham sido introduzidos na base de dados federal que limita o acesso a armas de fogo.

“Precisamos de corrigir o que aparenta ser uma falha grave”, afirmou Robyn Thomas, director do Centro Gifford de Prevenção de Violência com Armas, ouvido pela Reuters.

Também o Pentágono disse ter pedido ao inspector-geral do Departamento de Defesa a revisão das políticas e procedimentos tomados em casos de dispensa por “má conduta” para garantir que todos foram reportados adequadamente.

Segundo as autoridades norte-americanas, o ataque terá sido motivado por um problema familiar, tendo sido afastado um cenário de racismo, terrorismo ou violência política.

Sutherland Springs é uma pequena comunidade rural e o ataque de Kelley matou cerca de 4% da população.