Vida número três: a multinacional ficou para trás, venha a viagem

Carlos Melo Ribeiro, ex-CEO da Siemens, dividiu a vida em três partes. Entrou, há pouco mais de um ano, na terceira e já completou uma viagem, ao Butão. A experiência saiu agora em vídeo, pelas mãos do filho, que o acompanhou até à Ásia.

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Há pouco mais de um ano, em entrevista ao Expresso, dizia que o “país mudou muito” ao longo dos 21 anos que passou à frente da Siemens, em Portugal. Hoje, foi Carlos Melo Ribeiro quem mudou de uma vida vertiginosa para o silêncio de uma viagem à Ásia.

E como é que um antigo CEO passa a ser a história de um vídeo sobre uma viagem ao Butão? Tudo faz parte de uma filosofia de vida tripartida: 30 anos de estudo, 30 de trabalho e 30 de lazer. As contas são feitas por alto, mas Carlos Melo Ribeiro "já tinha a reforma planeada há 20 anos".

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A porta de entrada para a sua "terceira vida", como o próprio a define, teve a companhia do filho, Guilherme, que se juntou ao pai para gravar o momento e partilhá-lo num dos seus projectos. O Humaneyes, que faz parte da Flying Man (empresa criada por Guilherme), assume-se como uma plataforma de vídeos de viagens diferente. Foi, aliás, o projecto vencedor na categoria vídeo na primeira edição portuguesa do concurso de blogues promovido pela momondo. Nos vídeos Humaneyes, o foco está na história que cada viajante leva consigo para o país onde está. Neles, não vemos só “aquelas imagens típicas de turismo”. Pelo contrário, contam-se histórias, adaptando as personagens ao país em questão. “Não vou meter o meu pai na Costa Rica, que é mais de aventura”, ri-se Guilherme.

Não se pode dizer que esta viagem ao Butão tenha sido pouco aventureira - afinal, aterrar junto aos Himalaias não é para todos. “Era para ir com a minha mulher, mas ela tinha medo de fazer a viagem de avião”, conta Carlos Melo Ribeiro. “Então disse: Olha, vens tu [o filho, Guilherme]!” Embarcaram rumo à Ásia e lá encontraram o silêncio e a tranquilidade esperadas, bem como a felicidade que caracteriza o Butão – afinal, o Índice de Felicidade da população é tão valioso como o PIB do país. Mas encontraram também o espírito de aventura que faz parte de qualquer viagem. Uma das aventuras foi bem sossegada, num dos bloqueios na estrada que acontecem frequentemente no país, em vias nas quais a velocidade média são 17 km/h, conta Guilherme. Mas também houve espaço para dez minutos de futebol contra monges. “Com a altitude, foram dez minutos e não consegui jogar mais, ia desmaiando”, recorda Guilherme.

Enquanto se desvendam aventuras e desventuras, o antigo CEO defende que não tem “idade para estar encostadinho às docas”, recordando que, apesar de viajar pelo mundo desde os 11 anos - o pai era piloto da TAP, o que facilitou o seu estatuto de “cidadão do mundo”, como gosta de ser -, só no fim da universidade, com o 25 de Abril, houve “uma saída em massa, com muita gente" a começar a ir para fora.

Depois de 30 anos de volta dos estudos, mais 30 a trabalhar, Carlos Melo Ribeiro quer passar os próximos 30 em viagens e lazer. Até porque, diz, aos 60 anos ainda é jovem para se reformar. Era um "CEO aventureiro e muito activo”, e agora quer continuar essa actividade, embora noutro plano. Usa, inclusive, a história dos amigos do pai, que depois de uma vida activa enquanto pilotos de avião, “definhavam” por estarem parados “passados dois, três anos”. Carlos, pelo contrário, quer manter-se a andar de um lado para o outro. E a sua filosofia tripartida da vida já está a ser partilhada, com “muitas pessoas que vêem o Humaneyes a usarem essas expressões de 'vida número um', 'vida número dois'”, explica Guilherme. 

O Humaneyes começou pelo gosto de viagens de Guilherme, mas ele já  trabalha para atingir um público mais vasto e com um objectivo comercial. Já conta com patrocínios, como o Hotel Gangtey Lodge, que decidiu ajudar o projecto, e o próximo passo é terminar de editar todos os vídeos para continuar a contar histórias e “a entrar dentro das casas [das pessoas]”, diz Guilherme.

E o apoio do pai é posto em cada frase. “Sempre disse: ‘Querem fazer alguma coisa, façam. Mas para o mundo'”, conta, interrompido pelo filho: “E eu levei literalmente um projecto para o mundo.”

Os dez dias de viagem ao Butão foram os primeiros na terceira parte da vida do ex-CEO da Siemens. E se a reforma ainda agora começou, as viagens são para repetir? “Sempre que puder.”