Céu no Misty Fest com um espectáculo vigoroso, forte e dançante

Premiado com dois Grammys, o disco mais recente da cantora brasileira Céu serve de base a concertos no Porto e em Lisboa. Esta segunda-feira, na Casa da Música; terça, no Tivoli.

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Céu num concerto em Portugal, em 2010 PAULO PIMENTA

A cantora e compositora brasileira Céu está de volta a Portugal para dois concertos, integrados no Misty Fest que agora começa. Esta segunda-feira no Porto, na Sala 2 da Casa da Música (às 21h); e terça-feira em Lisboa, no Teatro Tivoli BBVA (21h30).

Nascida em São Paulo, em 17 de Abril de 1980, Céu é filha do maestro e compositor Edgar Poças e da artista plástica Carolina Whitaker. Passou por Nova Iorque na adolescência, e isso marcou o seu estilo, onde a melhor tradição do Brasil se mistura ao jazz, à soul e à música electrónica, misturando, nas suas influências, Villa-Lobos e Gal Costa, Ernesto Nazareth e Billie Holiday, Jorge Ben e Bob Marley ou Lauryn Hill. Tem, em nome próprio, quatro discos gravados: Céu (2005), Vagarosa (2009), Caravana Sereia Bloom (2011) e Tropix (2016), duplamente distinguido nos Grammy Latinos.

Os dois espectáculos que apresenta em Portugal baseiam-se em Tropix. “É o show desse disco. Foi lançado há ano e meio, não faz tanto tempo. A banda é formada por bateria, baixo, guitarra e teclado, sintetizador, o show é bem centrado nesse som. Eu quis fazer uma investigação sobre esse universo mais frio do sintetizador e dos beats electrónicos, mas ainda assim sendo brasileira e extremamente tropical. Eu queria ver como é que uma coisa se dá dentro da outra, como funciona. E daí veio a ideia do Tropix.” E o espectáculo replica tal experiência em palco. “É um show bem vigoroso, forte, dançante até.”

Um disco mais polido

A crítica valorizou Tropix em relação ao disco anterior, Caravana Sereia Bloom (que o crítico do The Guardian britânico, por exemplo, apontou como “misteriosamente breve e excessivamente comercial"). Mas Céu diz apenas que se trata de universos diferentes. “O anterior era muito mais lo-fi. Eu estava contando uma história sobre a estrada, por isso era meio rascunho, corrido, eufórico, rápido; tinha essa ofegância da estrada. Já o Tropix é mais hi-fi, mais finalizado, mais polido. E foi uma coisa nova, para mim, investigar a música nesse sentido.”

Na produção do disco, o desafio faz-se com dois produtores, um brasileiro (Pupillo, baterista do Nação Zumbi) e outro europeu (o francês Hervé Salters). “Foi uma experiência bem interessante”, diz Céu, “e foi muito prazeroso de fazer.”

Tropix já correu vários palcos, pelo Brasil e pelo mundo. “Já fui para a América, Canadá, alguns lugares na América Latina, vários países europeus. Está indo muito bem. Inclusive estão me chamando no Brasil para eventos com pessoas grandes como o Gilberto Gil, estou fazendo um show com ele, fiz um show muito grande com Jorge Ben. O Tropix trouxe uma dimensão maior para o meu trabalho e eu só tenho a agradecer.”

Num novo disco nem sequer pensou ainda. “O que sucede comigo é que eu me dedico 100 por cento ao álbum vigente. E o Tropix ainda tem muita coisa p'ra fazer. Esse lugar de começar a ensaiar um novo trabalho é uma coisa que ainda está bem longe, mesmo. Além de que estou grávida e tenho de cuidar desse projectinho na minha barriga.”