Apostas de futebol valem 43% do jogo online

Operadores encaixaram 37 milhões de euros com apostas ligadas a jogos de futebol nos primeiros nove meses do ano, com destaque para os da Primeira Liga. Placard passa a ter tecto de 5000 euros por dia.

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Janeiro foi o melhor mês, com 7,3 milhões de euros em apostas Nuno Ferreira Santos

O futebol é a modalidade desportiva que regista mais apostas de jogo online, tendo chegado aos 37,2 milhões de euros entre Janeiro e Setembro deste ano. Os dados, obtidos pelo PÚBLICO a partir das estatísticas do terceiro trimestre agora disponibilizadas pelos serviços de regulação e inspecção de jogos do Turismo de Portugal, mostram que esse valor representa 43% do total da receita bruta do jogo online, que chegou aos 86,1 milhões.

No relatório que acompanha os dados estatísticos sublinha-se que “durante os noves meses de 2017 o futebol consolidou-se como a modalidade desportiva que registou maior volume de apostas”, com perto de 78% das apostas desportivas. Setembro foi o segundo melhor mês, com 7,1 milhões de euros em apostas, suplantado apenas pelos 7,3 milhões de Janeiro.

Em termos de competições, diz o mesmo documento, a I Liga foi a responsável pelo maior montante de apostas, “representando 10,8% do valor total de apostas efectuadas na modalidade futebol, seguida da Liga espanhola e da Premier League inglesa com 7,2% e 5,9%, respectivamente”. O ténis é a segunda modalidade em termos de apostas desportivas (13,8% do total destas apostas), com destaque para os torneios do Grand Slam, como o Roland Garros, seguindo-se depois o basquetebol (com a NBA).

Máquinas a subir

Ao todo, as receitas geradas pelas apostas desportivas à cota chegaram aos 47,7 milhões de euros (55% do total do jogo online). Outros 38,4 milhões vieram dos jogos de fortuna ou azar, onde o destaque vai para as apostas nas máquinas, responsáveis por 16 milhões de euros (ou seja, ocupando o segundo lugar, mas com menos de metade do valor gerado pelo futebol). Dentro desta tipologia, a preferências dos apostadores vai depois para o póquer não bancado e para a roleta francesa.

Segundo o relatório divulgado pelo Turismo de Portugal, ao longo deste ano “as apostas em jogos de máquinas têm vindo a aumentar a sua importância relativamente a apostas em outros tipos de jogos de fortuna ou azar online”. 

Estado encaixa 25 milhões

De acordo com os dados agora apresentados, o terceiro trimestre registou receitas de 29,3 milhões, o que representa uma subida de 16% face ao trimestre anterior e de 22% em termos homólogos. Apesar desse crescimento, ficou abaixo dos 31,4 milhões gerados entre Janeiro e Março. Desde o início do ano, o Estado já encaixou perto de 25 milhões de euros com o imposto especial de jogo online (IEJO).

A 30 de Setembro, conforme indica o relatório do Turismo de Portugal, havia sete entidades ligadas a esta actividade, que detinham 11 licenças de exploração (sete de jogos de fortuna e azar e quatro de apostas desportivas à cota).

Os dados oficiais dão conta de que, entre Janeiro e Setembro, registaram-se 258,7 mil jogadores. Em termos de faixas etárias a mais predominante é que que vai dos 25 aos 34 anos (40% do total), e, em termos geográficos, a maior concentração está nos distritos do Porto (21,9%), Lisboa (19,7%) e Braga (9,6%).

Mudanças no Placard

Por parte da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), que detém o monopólio das apostas desportivas à cota de base territorial (ou seja, com presença física, através da rede de mediadores), esta vai fazer mudanças no Placard.

De acordo com um anúncio da instituição, a partir desta segunda-feira, 6 de Novembro, passa a haver um limite máximo por apostador, fixado em 5000 euros. Ao mesmo tempo, passa a haver “apenas um talão NIF válido por apostador do Placard, evitando-se desta forma a existência de vários talões por um só apostador”.

Com esta medida, alerta a instituição, os talões emitidos até à data “tornar-se-ão inválidos”, sendo necessário pedir a emissão de um novo talão NIF. Isso terá de ser feito “mediante apresentação da respectiva identificação”. Diz a SCML que, com estas alterações, pretende-se incrementar os “mecanismos de controlo e gestão de segurança dos apostadores”.

Em 2016, primeiro ano completo do Placard, este jogo foi responsável por receitas de 385 milhões de euros, o que o colocou na terceira posição do ranking do departamento de jogos da SCML (após a raspadinha e o Euromilhões).