Oposição a Fernando Medina vai ter “governo-sombra”

PSD-Lisboa está a convidar especialistas para formarem estrutura que permita fazer oposição a Medina.

Moita Flores é um dos futuros vereadores-sombra
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Moita Flores é um dos futuros "vereadores-sombra" VMC

Nas jornadas parlamentares do PSD, no início da semana, Rui Rio deixou a ideia de formar uma espécie de Governo-sombra composto por elementos especialistas em determinadas áreas capazes de fazer marcação aos ministros de António Costa. Agora, o PSD-Lisboa recupera a ideia e adapta-a ao executivo da Câmara de Lisboa.

Um dia depois de Fernando Medina ter assinado o acordo de governação com o Bloco de Esquerda, o PÚBLICO apurou que os sociais-democratas já fizeram convites para o futuro governo-sombra e que a primeira reunião de trabalho deverá acontecer na próxima semana. 

"O nosso objectivo é criar um projecto de oposição credível e que nos permita conquistar a câmara já daqui a quatro anos", explica Rodrigo Gonçalves, líder interino da concelhia de Lisboa do PSD. "É um projecto inovador e uma nova forma de fazer oposição que o PSD nunca adoptou no passado" assume o dirigente "laranja" que se manterá em funções até ao dia 13 de Janeiro, altura em que a concelhia (tal como a liderança da direcção nacional do partido vai a votos). "É à concelhia que cabe desenhar as directrizes da política autárquica e, com este projecto, vamos garantir a melhor informação e as melhores propostas aos eleitos. Não vamos ficar três meses parados [até Janeiro] sem escrutinar a acção de Fernando Medina e desta nova 'geringonça' que se formou em Lisboa".

Para já, foram dez as personalidades convidadas, além do coordenador Rodrigo Gonçalves, para acompanharem as nove áreas de vereação: Economia e Finanças; Cultura e Inovação; Educação, Lusofonia e Relações Internacionais; Protecção Civil, Segurança e Espaço Público; Coordenação Territorial, Mobilidade e Transportes; Ambiente, Energia e Higiene Urbana; Acção Social, Habitação e Desenvolvimento; Urbanismo, Projectos e Obras; e Turismo.

Um dos rostos mais conhecidos é Francisco Moita Flores, antigo investigador da Polícia Judiciária e autor de romances policiais. Moita Flores, que foi presidente da Câmara de Santarém e concorreu a Oeiras nas autárquicas de 2013, terá a seu cargo o pelouro da Protecção Civil, Segurança e Espaço Público, mas o PSD admite que o seu apoio pode ser transversal, tendo em conta a experiência autárquica acumulada.

José Amaral Lopes, que foi secretário de Estado Adjunto do ministro da Cultura no Governo de Durão Barroso e vereador na Câmara Municipal de Lisboa, é outro dos "vereadores-sombra". Terá como tutela a Cultura e Inovação. Amaral Lopes foi também deputado e, nos anos do cavaquismo, já havia sido subsecretário de Estado Adjunto do ministro da Agricultura e adjunto do ministro do Mar.

Para cuidar da pasta da Economia e Finanças, o PSD-Lisboa convidou Luís Alves Monteiro, o antigo secretário de Estado de Mira Amaral que é partner da Boyden, a empresa multinacional onde trabalha Rui Rio. Alves Monteiro também foi mandatário financeiro de Pedro Santana Lopes na última vez que este se candidatou à Câmara de Lisboa.

O professor universitário Eduardo Correia, actual administrador da Tagus Parque e antigo presidente do Movimento Mérito e Sociedade, vai tutelar a Modernização Administrativa.

Resta ainda o pelouro-sombra da Coordenação Territorial, Mobilidade e Transportes, que será assegurado por Paulo Taveira de Sousa (outro secretário de Estado de Durão Barroso) e o da Educação, Lusofonia e Relações Internacionais, que terá como "vereador" Tiago Moreira de Sá (professor universitário na Universidade Nova de Lisboa e comentador e colunista de política internacional).

João Pedro Gomes, economista e docente na Nova, também aceitou o convite para integrar a equipa, mas ainda não tem nenhuma pasta atribuída. Aliás, os pelouros não são estanques e haverá vários "vereadores-sombra" a trabalharem em mais do que uma área, como será o caso de Alexandra Barreiras Duarte, uma das mulheres escolhidas para este executivo e que já foi vereadora no final do anterior mandato do PSD na autarquia. Além desta professora universitária, a equipa conta ainda com Paula de Carvalho, jornalista e ex-assessora na autarquia; Patrícia Cipriano, antiga vice-presidente de Margarida de Sousa Uva na Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas; e Margarida Ferreira, directora do Turismo de Portugal.