Ministério Público deduziu acusação contra os 86 arguidos da Operação Zeus

13 dos militares, alguns de alta patente, continuam em prisão preventiva e outros cinco em prisão domiciliária. Em causa está um esquema de corrupção continuado no fornecimento de bens alimentares à Força Aérea.

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O Ministério Público (MP) deduziu nesta sexta-feira a acusação contra todos os 86 arguidos da chamada Operação Zeus, decidindo pela continuidade em prisão preventiva de 13 militares, alguns de alta patente, e prisão domiciliária de outros cinco, noticia a Sic Notícias.

Em causa está um esquema de corrupção continuado no fornecimento de bens alimentares à Força Aérea que, segundo a Polícia Judiciária (PJ), consistia na facturação de géneros alimentícios por um valor muito superior ao dos bens efectivamente entregues, sendo a diferença posteriormente distribuída entre as empresas fornecedoras e os militares envolvidos.

O esquema fraudulento, ainda de acordo com a PJ, terá lesado o Estado em cerca de 10 milhões de euros.

Num primeiro momento, em Novembro de 2016, seis militares da Força Aérea Portuguesa foram detidos pela PJ por suspeita de corrupção passiva, falsificação de documentos e associação criminosa, tendo ficado, na ocasião, todos em prisão preventiva por o juiz considerar que se verificava o perigo de perturbação do inquérito e de continuação da actividade criminosa.

Em Julho desse ano, numa segunda fase, foram detidas 16 pessoas, entre os quais 12 militares da Força Aérea Portuguesa, por suspeitas de crimes corrupção passiva e activa para acto ilícito, abuso de poder e falsificação de documentos. Entre os militares contavam-se um coronel, um tenente-coronel, um major, três capitães, cinco sargentos e um general.

Operação Zeus foi desencadeada após ano e meio de investigação e nela participaram cerca de 330 investigadores e peritos da PJ, acompanhados por cerca de 40 elementos da Polícia Judiciária Militar, bem como de 27 magistrados do MP.