Crítica

A força de outrora de Téchiné não aparece

Os actores são impecáveis, Téchiné não filma com a indiferença que tinha tomado conta do seu cinema, e no entanto... e no entanto a força de outrora não aparece.

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É verdade que se reconhece em Quando se tem 17 Anos mais do Téchiné dos melhores tempos do que o que tem acontecido neste seu último período, consideravelmente errático e desigual. A pergunta que ficamos a remoer é se esse reconhecimento, e respectivo conforto (ou será mesmo uma espécie de alívio), não são, aqui, tudo. Especialmente a memória dos Juncos Silvestres, um dos filmes de Téchiné que se lembram mais calorosamente, e que este filme de algum modo parece procurar, em paisagens bastante diferentes, através de uma história de adolescentes a descobrirem a sexualidade (não a sexualidade em geral, a sexualidade deles).

Os actores são impecáveis, Téchiné não filma com a indiferença que tinha tomado conta do seu cinema, e no entanto... e no entanto a força de outrora não aparece, a intensidade dramática parece produto de um cálculo qualquer, não há a aspereza daqueles filmes dos anos 80, não há aquele sentido de preenchimento das personagens que havia em filmes como os Juncos e que parecia, esse sim, o produto de uma alquimia qualquer.

Fica-se com um savoir faire hiper-competente. Melhor que nada, mas sabe a pouco.