Cuomo confirma ligações do atacante ao Daesh, Trump critica política de vistos

Governador de Nova Iorque reitera ligações de Sayfullo Saipov ao terrorismo islâmico. Presidente revela detalhes da entrada nos EUA do autor do atentado em Nova Iorque, onde morreram oito pessoas.

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O ataque foi em na zona sul de Manhatan Andrew Kelly/REUTERS

Donald Trump regressou ao Twitter horas depois do atentado de terça-feira, em Nova Iorque, onde oito pessoas morreram atropeladas por uma carrinha conduzida por um imigrante do Uzbequistão, de 29 anos, que entrou no país em 2010 e se terá radicalizado nos EUA. Na carrinha foi encontrada uma nota que mencionada o nome do Daesh, disse o governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo. 

A ligação de Sayfullo Saipov, ex-condutor de pesados e de passageiros, ao terrorismo islâmico foi avançada nesta quarta-feira por Andrew Cuomo, validando assim as primeiras indicações. Donald Trump disse no Twitter que o atacante está internado num hospital, em estado considerado crítico, depois de ter sido baleado no abdómen após o ataque.

O facto de se tratar de um imigrante foi aproveitado pelo Presidente norte-americano desde a sua primeira intervenção sobre o ataque terrorista em Nova Iorque. Donald Trump lançou-se numa série de declarações no Twitter, criticando um programa de vistos proposto pelo senador democrata Chuck Schumer, de Nova Iorque. Este respondeu: “Parece que não é demasiado cedo para politizar uma tragédia”.

Trump declarou que Washington tem de ser “muito mais duros” no controlo de quem entra nos Estados Unidos. “O terrorista entrou no nosso país através do que é chamado o programa de lotaria de vistos para diversidade, obra de Chuck Schumer”, declarou, dizendo que quer um programa de imigração “baseado no mérito”.

Segundo o Washington Post, há relatos de que o atacante, Sayfullo Saipov, teria vindo do Uzbequistão ao abrigo deste programa. A informação, sublinha o jornal, não foi ainda confirmada.

Este programa federal disponibiliza 50 mil vistos de entrada nos EUA, por ano, a candidatos oriundos de países que menos contribuam para a imigração nos EUA nos cinco anos precedentes. O objectivo é fomentar, por essa via, a diversidade. 

Desde os anos 1990 que existe este programa de vistos. Schumer teve um papel na elaboração de um pacote geral de imigração, que foi aprovado por democratas e republicanos no Congresso, e que um Presidente republicano assinou, sublinha o Post.

O senador republicano Jeff Flake defendeu Schumer, dizendo que este fez parte de um grupo de oito senadores que em 2013 procurou acabar com aquele programa de vistos, como parte de uma lei alargada de imigração. Esta foi aprovada no Senado mas não passou na Câmara dos Representes.

Schumer respondeu que Trump deveria “focar-se na solução real – dar verbas para os programas anti terrorismo, que propôs cortar no seu mais recente orçamento”. Na sua declaração, Schumer sublinhou que acredita “que a imigração é boa para a América”.

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Muitos conservadores, escreve o Washington Post, culpam a imigração por crime ou terrorismo, e esta foi também a justificação para o “travel ban”, a proibir a entrada no país de cidadãos de seis países de maioria muçulmana. “Associar o ataque de Nova Iorque com a lotaria de vistos da diversidade serve dois objectivos: progredir na sua agenda da imigração e culpar Schumer”. 

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já ordenou o reforço do controlo das entradas de estrangeiros no país.

Há 11 feridos

À Lusa, o governo português disse que "ainda não é possível apurar se há portugueses entre as vítimas mortais ou entre os feridos" do atentado, que tomou a forma de outros ocorridos na Europa, onde viaturas foram usadas como armas contra peões em locais urbanos de França, Alemanha, Espanha ou Inglaterra.

Morreram pelo menos seis cidadãos estrangeiros, cinco argentinos e uma belga. 

Segundo o jornal New York Times, a mensagem em que o atacante fala do Daesh, juntamente com uma bandeira da organização fundamentalista islâmica, terá sido encontrada dentro da carrinha utilizada no ataque, que teve lugar nas imediações do memorial do World Trade Center, em Manhattan.

Este ataque é, aliás, o primeiro com vítimas mortais registado em Manhattan desde o atentado com dois aviões a 11 de Setembro de 2001, que derrubou as duas torres do então World Trade Center. Porém, as fontes ouvidas pelo New York Times frisam que nada permite estabelecer uma ligação directa entre o atacante e o Daesh, podendo tratar-se apenas de um ataque "inspirado" na actuação do grupo terrorista.

O atacante investiu a carrinha contra quem passava numa ciclovia movimentada. A carrinha alugada foi depois abandonada pelo condutor, munido com duas armas falsas nas mãos. O homem acabou por ser detido, depois de ser baleado no abdómen e hospitalizado. As autoridades estimam que sobreviva.