Directores de campanha de Rio e Santana explicam a sua estratégia

O PÚBLICO falou com os dois directores de campanha.

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Salvador Malheiro é líder da distrital de Aveiro do PSD DATO DARASELIA
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João Montenegro era secretário-geral adjunto do partido MIGUEL MANSO

Rui Rio e Pedro Santana Lopes já começaram a andar na estrada para tentarem convencer os militantes do PSD das suas capacidades de liderança no partido e depois de candidatos a primeiro-ministro. Esta segunda-feira vão falar aos deputados no âmbito das jornadas parlamentares do PSD, que começam hoje em Braga. O PÚBLICO falou com os dois directores de campanha: Na candidatura de Rui Rio esse lugar é de Salvador Malheiro, 45 anos, presidente da câmara municipal de Ovar e líder da distrital de Aveiro. Santana Lopes escolheu João Montenegro, 39 anos, que foi assessor de Passos Coelho e secretário-geral adjunto do PSD.

Salvador Malheiro: "Rio não está sujeito a “variações de estados de alma”

A candidatura vai fazer campanha mais junto dos militantes ou vai alargar aos eleitores em geral?
O nosso foco são, naturalmente, os militantes do PSD. As acções que estão previstas privilegiam o contracto com os militantes de base. São verdadeiras sessões de esclarecimento seguidas de uma interacção natural com militantes. Contudo, iremos aproveitar essa volta, na dinâmica que está criada no partido, para estar junto da sociedade civil. Sem precisar acções concretas, iremos ter contactos com a comunidade civil, através de reuniões de trabalho e de visitas junto das classes mais jovens, empresários e empreendedores.

Qual a principal característica do candidato que vão tentar sublinhar: afectividade ou credibilidade?
O doutor Rui Rio conseguiu conjugar essas duas qualidades que vamos assumir. É ir por aquilo que ele é. Não vamos passar uma imagem deturpada. Os militantes e os portugueses conhecem-no e conhecem o seu percurso e forma de estar na política. Vamos tentar passar o que ele é: a credibilidade, o rigor e a concretização. É alguém que planeia a longo prazo, que é capaz de implementar reformas estruturais, que após delinear uma estratégia a longo prazo, é capaz de a concretizar mesmo. E de não estar sujeito a variações a estados de alma. Vamos privilegiar ao máximo o contacto pessoal com os militantes. Não queremos desvirtuar aquilo que é o doutor Rui Rio.

Como vão ultrapassar a conotação do PSD com a austeridade?
Foi o próprio Pedro Passos Coelho – em quem nós temos o máximo de respeito e de gratidão – que assumiu este momento como o que já não teria condições para dar esperança aos portugueses e aos sociais-democratas, visando um projecto ganhador. É altura de nós virarmos a página, que foi fruto de imposição de entidades externas. Os portugueses podem ter esperança num futuro melhor. O doutor Rui Rio tem uma sensibilidade especial para pessoas com necessidades especiais, mas também é de rigor e de contas certas, o que não tem nada a ver com os enormes esforços que os portugueses tiveram de fazer. Havendo esta conjuntura externa – também com o sucesso da classe empresarial nas exportações – estão criadas as condições para se atingir o esforço nas contas públicas e ao mesmo tempo dar sinais de que queremos ser responsáveis e pagar a nossa dívida. Ao mesmo tempo não queremos mais défice. Queremos que seja nulo ou mesmo que haja um superavit. Só assim conseguimos reduzir o valor absoluto da nossa dívida.

Quem escreve a moção e quando será entregue?
Ainda não temos data da moção. Estamos a receber inúmeros contributos de personalidades ligadas ao PSD e não só e que estão a ser organizadas pelo professor David Justino. Há presidentes de câmara a pedir para darem a sua opinião. Dos 98 presidentes de câmara do PSD, mais de metade já fez declarações públicas de apoio a Rui Rio. Há estruturas locais do PSD e da JSD que já declararam apoio. Temos a grande maioria dos apoios nos militantes de base e dirigentes.

Haverá um momento do arranque da campanha?
Acho que não. Já estamos no terreno há muito tempo.

João Montenegro: Santana acumula “experiência, pragmatismo e irreverência”

A candidatura vai fazer campanha mais junto dos militantes ou vai alargar aos eleitores em geral?
Nós, de facto, na nossa equipa temos os melhores. E muitos querem fazer parte do nosso projecto político. O nosso objectivo é estar junto do maior número de militantes possível. A nossa campanha será centrada num diálogo e não num monólogo. Os encontros realizados têm sido de partilha de ideias. Temos recebido apoio da sociedade civil e do partido. A campanha terá dois alvos – falando para o partido estamos a falar para o país.  

Qual a principal característica do candidato que vão tentar sublinhar: afectividade ou credibilidade?
Sabemos que acumula experiência, pragmatismo e irreverência. É o homem certo para modernizar o partido. Com uma equipa multidisciplinar vamos adoptar um projecto social-democrata. Teremos um porta-voz para cada uma das áreas temáticas.

Como vão ultrapassar a conotação do PSD com a austeridade?
O crescimento económico e o combate às desigualdades sociais são os dois eixos centrais do projecto político. Tal como o doutor Santana Lopes mencionou na apresentação do candidato. Teremos um programa multidisciplinar com os dois eixos. É uma candidatura de proximidade.

Quem escreve a moção e quando será entregue?
Há um conjunto de pessoas que estão a colaborar na moção, são jovens quadros políticos – como Telmo Faria, ex-presidente da câmara de Óbidos – mas também pessoas com muito relevo e que já são as vozes do partido nas suas áreas como as deputadas Teresa Morais, Joana Barata Lopes e Nilza de Sena entre outras pessoas. As equipas estão a trabalhar e a recolher contributos.

Haverá um momento do arranque da campanha?
O pontapé de saída foi dado em Santarém, no domingo passado, escolhido por ser central e ao mesmo tempo descentralizado. E imediatamente a seguir fomos para a estrada. O que estamos a privilegiar é o amadurecimento da nossa candidatura. A receptividade tem sido muito boa. Temos imensos militantes a aderir ao nosso projecto político. O nosso candidato tem o objectivo de chegar ao maior número de militantes. São eles que decidem estas eleições internas.