Putin inaugura memorial às vítimas da repressão soviética

“Estes crimes não podem ter nenhuma justificação”, disse o Presidente russo sobre o período de repressão e de terror que se seguiu à revolução bolchevique em 1917.

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Vladimir Putin inaugurou nesta segunda-feira um memorial dedicado às vítimas da repressão soviética, sendo este o maior monumento com a chancela do Estado alguma vez construído na Rússia.

“Estes crimes não podem ter nenhuma justificação”, disse Putin, citado pelo El País, durante a cerimónia de inauguração do monumento que homenageia as vítimas do período de terror que se seguiu à revolução bolchevique, que comemora este ano o seu centenário. O Presidente russo diz até que a inauguração deste memorial no centro de Moscovo “é especialmente actual no ano do centenário da revolução”.

“Espero que esta data seja entendida pela nossa sociedade como um motivo para virar a página sobre os acontecimentos dramáticos que dividirem o país e o povo, e que seja um símbolo de superação desta divisão, um símbolo de perdão mútuo e de que a História do nosso país se aceita como é, com as suas grandes vitórias e as suas páginas trágicas”, disse ainda Putin na cerimónia onde esteve acompanhado por membros do conselho para os direitos humanos, órgão que presta consultadoria ao Kremlin, e que esteve na linha da frente em relação à construção deste monumento, e falando de um tema que ainda hoje divide a sociedade russa e sobre a qual a própria posição de Putin tem sido algo ambígua nos últimos anos.

Como explica o El País, a escultura, denominada "Muro da Dor", foi construída com 170 pedras retiradas de diversos campos de concentração soviéticos, conhecidos como gulags, ocupando mais de cinco mil metros quadrados em redor de um muro de bronze com um baixo-relevo em fora de corpos humanos. Aí pode ler-se a palavra “recorda” em vários idiomas.

Sem se conhecer o número exacto de vítimas relacionadas com a repressão soviética, principalmente durante a liderança de Estaline, sabe-se que o número de mortos durante o período entre 1929 e 1953 ascendeu aos milhões.

A maioria das pessoas morreu na sequência da fome generalizada, deportações, colectivização forçada, execuções ou nos campos de trabalhos forçados. Em concreto, pelo menos 750 mil pessoas foram executadas durante o período conhecido como o Grande Terror, entre 1937 e 1938, e milhões foram transportadas para os gulags.