Dança

Infinitas possibilidades de amar

Performance sobe à cena no Teatro Nacional São João, no Porto, sexta-feira à noite e sábado à tarde.

Paulo Pimenta
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Paulo Pimenta

Não é bem uma reposição de “O Aqui”, o primeiro espectáculo que a CiM – Companhia de Dança levou a um palco. É uma revisitação de uma performance de extrema delicadeza, a transbordar sensualidade. Para ver nesta sexta-feira e neste sábado no Teatro Nacional São João, no Porto.

Revisitar “O Aqui” é uma forma de assinalar os dez anos da companhia. “Foi o primeiro espectáculo de palco que fizemos; o primeiro espectáculo que fizemos foi de rua, chama-se Sobre Rodas, em 2007”, disse a coreógrafa Ana Rita Barata, quinta-feira à noite, ao afinar os últimos detalhes. “Foi emblemático. Teatro Camões. Casa cheia. Uma coisa muito especial para arranque da companhia.”

O tempo é o tema central do espectáculo, que junta nove intérpretes, uns com e outros sem qualquer deficiência física ou mental. E o que se vê é sempre um jogo entre o risco e o afecto, a ousadia e a generosidade, a igualdade e a diferença, a inclusão e a exclusão, a arte e a intervenção social.

Há um curto momento de agressividade. Um rapaz, numa cadeira de rodas, dá ordens a uma rapariga que quer atrair. Ele quer que ela vá até ele, dançado à sua maneira. Ele grita “esquerdo”, por exemplo, e ela mexe o braço esquerdo e ele observa esse movimento que não é capaz de fazer. E, para Ana Rita Barata, a diferença entre aqueles corpos reporta para um amor que parece impossível, mas não tem de ser. A partir daí, há uma sucessão de cenas de grande sensualidade.

Há uns anos, aquando na primeira vida deste espectáculo, a coreógrafa teve uma inesquecível conversa sobre o amor. Ouviu falar no modo como uma enfermeira ajudou um casal com paralisia cerebral a fazer sexo. “Essa imagem ficou-me para sempre e quis pegar nessa ideia”, conta. Quis pôr essa imagem em palco, abrir espaço para a reflexão sobre infinitas possibilidades de amar.

O espectáculo – com direcção artística da coreógrafa Ana Rita Barata e do realizador Pedro Sena Nunes – é uma coprodução Vo’Arte, São Luiz Teatro Municipal e TNSJ, que tem três parceiros, a Associação Cultural CiM, a Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa e o Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian.

“O Aqui” estará em cena no Teatro Nacional São João às 21h00 desta sexta-feira e às 19h00 de sábado. A récita de 28 de Outubro será acompanhada por um intérprete de Língua Gestual Portuguesa (LGP) e terá audiodescrição. O preço dos bilhetes varia entre os 7,50 euros e os 16 euros. Ana Cristina Pereira 

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