Protesto endurece: sindicatos dos médicos e enfermeiros alinham com a greve geral

Esta é a segunda vez, em 38 anos, que o Sindicato Independente dos Médicos adere a uma greve da CGTP e espera uma adesão "acima dos 70%".

O Sindicato Independente e a Federação Nacional dos Médicos têm uma paralisação marcada para 8 de Novembro, no culminar de duas greves regionais de médicos
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O Sindicato Independente e a Federação Nacional dos Médicos têm uma paralisação marcada para 8 de Novembro, no culminar de duas greves regionais de médicos Rui Gaudencio

O “impasse no sector” é o pretexto para o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) abrir uma excepção e apelar à participação numa greve geral convocada por sindicatos da função pública. Diz o sindicato que existe um “impasse negocial em inúmeras matérias laborais específicas da carreira médica” e persiste a “discriminação negativa dos médicos do Serviço Nacional de Saúde” no que diz respeito ao descongelamento das carreiras e respectivos salários.

"Dificilmente" a adesão à greve desta sexta-feira será superior às paralisações regionais dos médicos das últimas duas semanas, mas o secretário-geral do SIM estima que fique "acima dos 70%". De acordo com Jorge Roque da Cunha, desde a fundação em 1979, esta é a segunda vez que o sindicato adere a uma greve marcada por sindicatos da função pública afectos à CGTP. 

Também a Federação Nacional dos Médicos (Fnam) saudou “a luta da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública”, por considerar que, na iminência de começarem as negociações para o descongelamento das carreiras, existem razões acrescidas para reafirmar o apoio à “convergência sindical”.

Os médicos vão parar ainda no dia 8 de Novembro, naquele que é o seu segundo protesto este ano. A paralisação vem no seguimento das duas greves regionais. Entretanto os sindicatos e o Governo chegaram a entendimento sobre a redução das horas anuais de trabalho suplementar, de 200 para 150, mas mantém-se o impasse quanto ao número de utentes por médico de família – que o SIM e a Fnam querem reduzir de 1900 para 1550 – e limitação do trabalho de urgência para 12 horas por semana, em vez das actuais 18 horas.

Apesar de já ter chegado a acordo com o Governo, com o compromisso de iniciar as negociações para o descongelamento de carreiras, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), afecto à CGTP, juntou-se ao protesto para exigir isso mesmo. Diz o SEP que, "após 12 anos de congelamento sem progressão e sem aumentos salariais", os enfermeiros devem reclamar já o que o Governo acordou entregar-lhes daqui a dois anos para nos dar o que é nosso.