Ministro da Defesa admite reforço do orçamento para acomodar missões

"A gestão e o comando dos meios passam a ser da Força Aérea, mas é claro que a Força Aérea não passa a ser a nova protecção civil", diz Azeredo Lopes.

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Rui Gaudencio

O ministro da Defesa disse nesta quinta-feira que o orçamento do ministério pode ser reforçado para acomodar missões relativamente aos incêndios, mas sublinhou que o mais importante agora é a definição em breve de um novo modelo.

"O orçamento da Defesa pode ser reforçado para acomodar novas missões. Reforço o que disse o primeiro-ministro: se for necessário, na especialidade, os partidos que apoiam o Governo não vão deixar de atender a necessidades concretas que venham a ser definidas. Estamos a falar da oportunidade de, no curto prazo, redefinir novas necessidades e novos investimentos, é isso que as Forças Armadas estão a fazer", disse José Azeredo Lopes em entrevista à Rádio Renascença.

Porém, o ministro considera que "o momento é para perceber o que está mal no modelo actual e o que deve ser corrigido".

"Neste momento o que está em curso, e espero que na próxima semana já possamos concluir, é a elaboração de um despacho comum entre a Defesa e a Administração Interna em que será atribuído a um grupo de pessoas por nós designada a tarefa de o mais depressa possível desenhar esse modelo de transição", explicou.

O ministro da Defesa lembrou que foi pedido à Força Aérea, e que será entregue em breve, um estudo sobre o que esta força considera como modelo concreto de comando de gestão.

"Com certeza, o que se trata agora é definir o novo modelo, porque a afirmação de que um modelo é centralizado é simples, mas depois como de costume o diabo está nos detalhes", argumentou.

José Azeredo Lopes defendeu que a Força Aérea tem uma capacidade de planeamento, de comando e de gestão que justifica que assuma a gestão.

"A gestão e o comando dos meios passam a ser da Força Aérea, mas é claro que a Força Aérea não passa a ser a nova protecção civil", sublinhou.

No que diz respeito ao reforço dos meios aéreos, Azeredo Lopes disse que ainda é cedo, mas é uma possibilidade.

"Comprar um helicóptero não é o mesmo que ir ao supermercado. A aquisição de meios aéreos já foi desencadeada", disse.

O Governo aprovou no sábado passado, em Conselho de Ministros extraordinário, várias medidas para reforçar a prevenção e combate a incêndios, determinando um "papel alargado" das Forças Armadas e atribuindo à Força Aérea a missão de gestão e operação dos meios aéreos de combate aos incêndios florestais.

Posteriormente, fonte do ministério da Defesa Nacional disse que o reforço do papel das Forças Armadas no combate aos incêndios implicará "obviamente novos meios", salientando que estão a ser definidas as formas de aplicar as medidas aprovadas no sábado.

O Ministério da Defesa está "a estudar a forma de concretizar as medidas aprovadas no Conselho de Ministros extraordinário", que abrangem a Força Aérea, o Exército e a Marinha, escusando-se a avançar para já qual é o calendário previsto e formas de financiamento.