O 2018 de Fernando Medina tem eléctricos, centros de saúde e escritórios

Na tomada de posse, o autarca fez vários anúncios e pouco quis falar de eventuais coligações. Para a oposição, um recado: a "demagogia" será denunciada.

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Miguel Manso
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“Quero pois aqui anunciar” – esta foi a expressão que Fernando Medina mais repetiu na Praça do Município nesta quinta-feira à tarde. No seu discurso de tomada de posse, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa prometeu que 2018 será um ano recheado de acção. A autarquia vai comprar eléctricos, vai lançar a construção de novos centros de saúde, vai definir e potenciar novas zonas de escritórios na cidade.

Três promessas que foram a maior novidade de um discurso no qual o autarca, eleito pela primeira vez como cabeça-de-lista, abordou sobretudo os temas que têm marcado a sua governação. E logo a abrir, referindo-se ao objectivo de criar “uma cidade sustentável”, deixou um recado à oposição. “É preciso falar com verdade, clareza e contra a demagogia. A demagogia daqueles que fingem concordar com os objectivos, mas que na prática defendem políticas contrárias. Ou daqueles que em vez de sensibilizar para a mudança, aproveitam o descontentamento da transição”, disse.

A mensagem sai direitinha para Assunção Cristas, que também tomou posse como vereadora, e que durante a campanha propôs medidas como o aumento do estacionamento gratuito dentro da cidade. Para Medina, esse não é o caminho. A resposta às alterações climáticas – “uma realidade do presente e não uma ficção futura” – “é mais e melhor transporte público”, “aumentar as zonas pedonais” e “fazer crescer as áreas verdes”, disse. Por isso, anunciou para o primeiro trimestre do próximo ano o lançamento do concurso “para a aquisição de 30 novos eléctricos, tendo em vista a extensão do 15 a Santa Apolónia, a recuperação do 24 entre o Cais do Sodré e Campolide e o início de uma nova fase de expansão da rede na cidade.”

O autarca tocou de seguida, ao de leve, no problema da habitação, um direito que “está hoje em risco para importantes segmentos da classe média e que será uma prioridade do mandato”. Feita a rápida referência, novo anúncio: nos primeiros seis meses de 2018 será lançado o concurso para construir seis novos centros de saúde, de um total de 14 que Medina quer deixar prontos até 2021. “Serão centros modernos, com meios de diagnóstico e terapia, capazes de assegurar cuidados de qualidade a todos”, anteviu, antes de referir uma parceria com a Santa Casa para apoio a idosos – que também é para pôr em marcha no primeiro trimestre do ano que vem.

Outro dos temas sensíveis em Lisboa é o impacto do turismo, cuja análise preencheu grande parte dos debates do último ano e meio. “Prestaremos particular atenção à sustentabilidade do turismo, para não colocarmos em causa uma fonte de emprego e riqueza tão importante para todos. O turismo deve ser compatível com a qualidade de vida dos residentes, com a qualidade das infra-estruturas básicas, com o acesso à habitação. Vamos agir aqui”, afirmou. Mas nada mais acrescentou.

O sentido do discurso mudou imediatamente para o apoio à economia da cidade. Nesse âmbito, nova promessa. “Até ao final do primeiro trimestre de 2018 aprovaremos a unidade de projecto para a rápida ampliação das zonas de escritórios, bem como as principais zonas de desenvolvimento”, garantiu Fernando Medina. Que pouco depois insistiu – tal como fizera já no 5 de Outubro – na “urgente” reforma da descentralização. “Não faz qualquer sentido que partes da frente ribeirinha, que não estão estritamente afectas à actividade portuária, não sejam geridas pela cidade”, exemplificou.

Antes de Medina, Helena Roseta também já tinha falado da descentralização do Estado, considerando que esta deveria vir acompanhada de maiores poderes e recursos para as assembleias municipais. “É preciso aumentar a capacidade de fiscalização dos executivos municipais”, disse a autarca, repetindo uma ideia que já vincara ao PÚBLICO há uns meses.

Fernando Medina nada disse sobre a distribuição de pelouros e também não quis explicar em que ponto estão as negociações para um eventual acordo de coligação com o Bloco de Esquerda. O PCP, afirmou, não se mostrou disponível para tal.

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