Frankie, com chaves para o rock e o blues em Lisboa

O guitarrista Frankie Chavez apresenta o seu mais recente disco em dois concertos em Lisboa, com convidados: Peixe, Benjamim, Sam Alone e Rui Veloso. Sexta e sábado no Teatro da Trindade, às 21h30.

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Frankie Chavez RITA CARMO

O dobro ou nada: em dois concertos consecutivos, o guitarrista Frankie Chavez vai apresentar em Lisboa o seu mais recente disco, Double Or Nothing. E traz convidados de peso: Peixe (ex-Ornatos Violeta), Benjamim, Sam Alone e Rui Veloso. Esta sexta e sábado, às 21h30, no Teatro da Trindade, naqueles que serão os penúltimos concertos do ciclo Há Música no Trindade, no qual já actuaram Tatanka, Yamandu Costa, José Manuel Neto, Dead Combo, Vitorino com Filipe Raposo e João Paulo Esteves da Silva e onde ainda se ouvirá Mário Laginha com Tcheka, nos dias 15 e 16 de Dezembro.

Nascido em Lisboa, a 30 de Abril de 1979, Joaquim Francisco Chaves transformou-se em Frankie Chavez quando ia lançar o primeiro EP (editado então pela Optimus). Era preciso um nome artístico e, como ele estivera a viver uns tempos em Espanha, onde lhe chamavam “Chavez”, acabou por ficar Frankie Chavez. E foi esse nome que adoptou para o futuro. O EP foi lançado em 2010, seguindo-se-lhe Family Tree (2011), Heart & Spine (2014), Ao Vivo em Coimbra (lançado com a revista Blitz, em 2017) e, logo em seguida, Double or Nothing, que deve o título, com sabor a western, ao facto de ter sido pai de duas meninas, depois de já ter em casa dois rapazes. Um duplo dobro.

Guitarras e afinações

Na Wikipédia, uma curtíssima biografia começa por dizer que “é um músico português” e termina com esta insólita frase: “Costuma usar uma boina.” Mas há mais coisas para contar, diz ele ao PÚBLICO: “Aos nove anos comecei a aprender guitarra clássica com o professor de música da escola onde eu estava, o externato As Descobertas, no Restelo. Até aí só tocava guitarras de brincar, que eu tinha lá em casa. Aquilo começou a correr bem, eu apanhava as coisas com alguma facilidade, de ouvido.” Nessa altura ouvia Jimi Hendrix, Pink Floyd, Dire Straits, cativava-o a guitarra de Mark Knopfler. Quando foi para o liceu foi também para uma escola que dava equivalência ao conservatório. “Entrei logo para o segundo grau, fiz guitarra, solfejo, essas coisas todas.” Esteve lá um ano, até que uma lesão no ombro o obrigou temporariamente a deixar de tocar. Fez o exame e depois saiu, aos 15 anos. “Continuei sempre a tocar, mas aí já com bandas de garagem.”

A primeira guitarra eléctrica teve-a aos 13 anos. “Os meus pais ofereceram-me uma daquelas baratas, com amplificador. Lembro-me de o meu irmão gozar comigo porque eu tocava como se estivesse a tocar uma guitarra clássica.” Tocava com os dedos, não com palheta. Mas depressa viu as diferenças, os slides, os sons, a distorção. “Vendi essa guitarra, estupidamente, e depois comprei outra.” E outras mais, com o passar dos anos. “É quase uma doença/colecção. Enquanto posso, compro.” Em palco troca de guitarra com frequência, mas por razões técnicas. “As afinações. Quando comecei na parte mais do folk, e do blues, percebi que, com os bottlenecks e aquelas coisas, eles mudam a afinação. Depois comecei a tocar lap steel, vi que só funcionava com afinações abertas, passei a tocar as acústicas também com afinações abertas e passei essa técnica para a guitarra portuguesa, electrificada. O que lhe dá um ar mais bluesy, mas à americana.” No Trindade, Frankie tocará também guitarra portuguesa num dos temas. “É o que eu vou tocar com o Peixe, Strong enough to pray, são duas guitarras meio a conversar.”

Uma banda focada nas canções

Tendo começado como one man band, com guitarra, bombo e outros auxiliares, Frankie foi evoluindo até ter uma banda segura. No Trindade, com Frankie Chavez (guitarras, voz), estarão João Correia (bateria, percussão), Donovan Bettencourt (baixo) e Paulo Borges (piano e teclados). E será essa, a coesão de uma banda, a maior diferença dos trabalhos anteriores para este disco: “Tive várias bandas quando era miúdo, mas eram de covers. Agora quis ter uma banda e um corpo coeso de músicos que contribuíssem todos para a canção; egos à parte e focados na canção.”

E, diz ele, conseguiu realmente reuni-los. “O João Correia é exímio nisso, o Donovan também, depois entrou mais tarde o Paulo Borges, que dispensa apresentações por ser também o teclista dos GNR e de uma série de outras bandas. Eu já me tinha cruzado com ele porque o Paulo tem um projecto de tributo aos Doors junto com o João e o Donovan. Então ele foi lá para tocar numa das canções, tocou em várias e foi aí que o disco mudou: do trio passou para um quarteto e com arranjos, a meu ver incríveis, de mellotron, piano, Farfisa, coisas muito à anos 70.”