Incêndios florestais

Reflorestar e recuperar casas e empresas são prioridades da região de Coimbra

Comunidade Intermunicipal reuniu-se para elaborar propostas de apoio às vítimas dos incêndios.
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ADRIANO MIRANDA

Para autarquias de Coimbra, recuperar habitações e empresas e apoiar a reflorestação dos terrenos são as acções mais urgentes para ajudar a zona Centro a recuperar dos incêndios que afectaram uma larga área. A Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (Cim RC) entende ainda que a prevenção da erosão, o corte e o escoamento da madeira ardida deverão estar no topo das preocupações.

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Estes são alguns dos destaques das 32 propostas aprovadas por unanimidade na reunião do conselho intermunicipal, que decorreu nesta terça-feira, em Oliveira do Hospital, uma das autarquias mais afectada pelo fogo deste mês. A organização de municípios vai solicitar nesta terça-feira uma reunião ao primeiro-ministro António Costa, para apresentar as propostas. O documento será também dado a conhecer Presidente da República e ao presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Manuel Machado, que é também o autarca de Coimbra.

Em comunicado enviado às redacções, a Cim RC (que é constituída pelos 17 municípios do distrito de Coimbra e pelas autarquias de Mealhada e Mortágua, respectivamente dos distritos de Aveiro e Viseu) refere que propõe também "medidas de apoio ao emprego e aos rendimentos de trabalhadores de empresas abrangidas por medidas de redução temporária do período normal de trabalho ou suspensão de contratos de trabalho". A área da saúde também entra no pacote, referindo a Cim que quer a "valorização de soluções de proximidade, incluindo programas de apoio psicológico, reforço das equipas comunitárias e programas de promoção de saúde pública para controlo da eventual contaminação das águas e dos solos".

Presidida por João Ataíde, presidente da Câmara da Figueira da Foz, a Cim RC defende que as organizações e instituições sociais que "empreendam acções de solidariedade dirigidas aos territórios e populações afectadas" devem ser apoiadas. Deve igualmente haver incentivos destinados à captação de investimento e à fixação da população nestes territórios, que são essencialmente rurais.

Os incêndios dos dias 15 e 16 de Outubro provocaram 45 mortos, a grande maioria dos quais nos distritos de Coimbra e Viseu. Para além das vítimas mortais, em Coimbra as chamas destruíram habitações e empresas em concelhos como Figueira da Foz, Mira, Cantanhede, Lousã, Vila Nova de Poiares, Pampilhosa da Serra, Arganil, Tábua e Oliveira do Hospital, queimando também uma vasta área de floresta e terrenos agrícolas.

A tomada de posição dos municípios de Coimbra tem também em atenção a "reabilitação da imagem turística" das zonas fustigadas pelas chamas. Assim, os apoios comunitários devem ser direccionados para a "redefinição da estratégia da região para o sector do turismo" e para "o lançamento de projectos de desenvolvimento turístico".

Os incêndios danificaram infra-estruturas e afectaram as ligações rodoviárias. A Cim RC defende que a reparação e reposição das condições de segurança das estradas nacionais e municipais deve ser igualmente apoiada. Neste âmbito, o mesmo deve acontecer com "infra-estruturas e equipamento municipais de suporte às populações".

A comunidade intermunicipal refere ainda que as "alterações estruturais" a efectuar, tanto no ordenamento florestal como na prevenção de incêndios, deve ter a participação das autarquias e Cim. Para preparar o Inverno, é agora necessário reabilitar as linhas de água, repor a vegetação das margens e os açudes e planear a reflorestação e o ordenamento territorial. Nestes trabalhos, os municípios devem também ter "parte activa".