Mao e Deng, os dois "líderes supremos" da China

Até agora, apenas Mao Tsetung e Deng Xiaoping tinham os seus ensinamentos instituídos na constituição do Partido Comunista.

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Tyrone Siu/Reuters

Mao Tsetung

Depois de uma guerra civil de quatro anos (1946-1950) contra os nacionalistas do Kuomintang, o guerrilheiro proclama a República Popular da China governada pelo Partido Comunista, do qual se torna “presidente” até à sua morte em 1976. O título acabou por ser extinto e foi substituído pelo de secretário-geral. O “pensamento de Mao Tsetung” aborda sobretudo a construção do Estado chinês socialista e a prevalência do partido sobre as restantes instituições, incluindo o exército. A sua doutrina baseia-se na manutenção de contradições sociais para justificar a necessidade de uma revolução permanente. Em 1958, Mao lança um programa de colectivizações conhecido como Grande Salto em Frente, que redunda num tremendo fracasso e que é considerado a principal causa da morte à fome de milhões de pessoas. Segue-se em 1966 a Revolução Cultural, uma mobilização massiva de jovens que formaram milícias que perseguiram milhões de militantes considerados “traidores”. Durante as três décadas em que governou, Mao constrói um culto de personalidade à sua volta tão forte que torna praticamente impossível a emergência de um sucessor.

Deng Xiaoping

Na verdade, Deng Xiaoping nunca ocupou formalmente o cargo de secretário-geral do Partido Comunista Chinês. Após a morte de Mao, o sucessor designado, Hua Guofeng, foi gradualmente afastado por Deng, que acumulou os principais cargos do Estado, embora nunca o mais importante do partido. Na década em que governou (1982-1990), a sua prioridade foi tentar sarar os traumas abertos pela “revolução permanente” de Mao, embora preservando o seu estatuto. Deng fez uma adaptação do maoísmo a alguns aspectos das economias de mercado, promovendo a abertura económica e a modernização do aparelho produtivo. Foi com Deng que a China se abriu, pela primeira vez, ao investimento estrangeiro e, no campo diplomático, completou a normalização das relações com os Estados Unidos. Sem pôr em causa o “pensamento de Mao”, a “teoria de Deng” fez uma quadratura do círculo e combinou-a com os conceitos confucionistas de harmonia e da “ascensão pacífica” da China no quadro mundial. Deng promoveu também várias reformas institucionais ao nível do partido com duas prioridades: impedir a construção de um novo culto da personalidade e tornar os processos internos mais estáveis e previsíveis. Na fase final da sua governação, um dos exemplos que deu para se diferenciar de Mao foi abdicar de todos os seus títulos e cargos, com excepção do de presidente da comissão militar, que supervisiona o Exército.