Livro póstumo de Sam Shepard em Dezembro

Chama-se The Spy of The First Person e vive da memória de um homem debilitado pela doença. É uma ficção cheia de paralelos com o fim da vida de Shepard.

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The Spy of the First Person: o narrador é um homem que se deixa guiar pela sua memória e está totalmente dependente de quem lhe é mais próximo para continuar a viver Magnet/MCT

Meses antes de morrer, em Julho passado, o actor, dramaturgo, realizador e escritor Sam Shepard trabalhou num livro narrado por um homem em situação débil e submetido a forte medicação. Era essa a condição de Shepard. 

Aos 73 anos, em sofrimento devido a esclerose lateral amiotrófica, fisicamente limitado, escreveu à mão as primeiras páginas do livro mas acabou a ditar frases para um gravador. As suas duas irmãs, Roxane e Sandy, e a sua filha Hannah, iam passando a voz para texto, liam-lhe e ele fazia a revisão. A novela ficaria pronta uma semana antes de Sam morrer, numa versão que contou com a ajuda da amiga, a cantora e poeta Patti Smith. Ela esteve perto dele nesses dias e deu a forma final a The Spy of the First Person, uma novela de 96 páginas que vai sair nos Estados Unidos em Dezembro, editada pela Alfred A. Knopf, a editora de Shepard. 

Conforme se pode ler no site do escritor, o narrador é um homem sem nome que se deixa guiar pela sua memória e está totalmente dependente de quem lhe é mais próximo para continuar a viver e o editor não hesita em encontrar paralelo entre a condição dessa personagem e a do próprio Sam Shepard, como sublinhou o seu editor em recentes declarações à revista Vanity Fair, afirmando que os últimos dois anos de vida de Shepard foram marcados pela doença. 

Com acção entre uma clínica no Arizona, a fronteira com o Novo México e o mar junto de Alcatraz, este livro sai no mesmo ano de The One Inside: a Novel, o último romance publicado em vida do actor com cerca de 60 filmes no seu currículo e do escritor com mais de 40 títulos publicados entre peças de teatro, romances, contos, argumentos, que gostava de explorar dilemas ligados à identidade, vencedor do Pulitzer de teatro em 1979 com Buried Child.