Milhões de aves selvagens são mortas ilegalmente na Europa

Em Portugal, o número pode chegar as 60 mil aves abatidas por ano por práticas ilegais.

Paulo Pimenta
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Paulo Pimenta

O número de aves selvagens mortas ilegalmente no Centro e Norte da Europa e na região do Cáucaso pode chegar aos 2,1 milhões, segundo revela um estudo publicado esta terça-feira pela BirdLife. Um estudo anterior desta organização internacional já tinha revelado que na região mediterrânica do Velho Continente são mortas cerca de 25 milhões aves de forma ilegal. Em Portugal estima-se que sejam mortas entre 20 e 60 mil aves por ano.

Segundo o estudo Kiling 2.0, que completa a análise feita ao abate ilegal de aves iniciado em 2015, 66% das 457 espécies nativas no continente europeu são mortas ou capturadas de forma ilegal. As aves aquáticas e marinhas são as principais vítimas destas práticas, seguidas pelas aves de rapina e pelos pombos. Em termos individuais, o pardal comum é a ave mais capturada, com 4,7 milhões de exemplares mortos por ano.

Artefactos diversos e armadinhas são os métodos mais usados e as razões mais comuns apontadas para esta prática. A alimentação e recreação são as principais razões para a morte das aves. O estudo da BirdLive considera que o ano passado foi “particularmente preocupante”, estimando-se que na Europa e no Cáucaso tinham sido mortas 10% da população mundial de aves selvagens.

O estudo agora revelado foi feito em 28 países que assinaram a Convenção de Genebra para a Conservação da Fauna e Hábitats da Europa. Destes, 19 estados fazem parte da União Europeia, estando obrigados a cumprir legislação comunitária sobre esta matéria.