The Orville, uma versão mais cómica de Star Trek

Seth MacFarlane, o sempre auto-indulgente criador de Family Guy, escreve e protagoniza uma série de ficção científica que deve muito a uma das suas séries favoritas de sempre. Chega na segunda-feira, às 23h05, à FOX portuguesa.

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Isto não é Star Trek, mas queria ser DR

Há uns anos, quando estava a acabar a sequela de Ted, a comédia em que fazia de urso de peluche com tendência para palavrões, Seth MacFarlane foi à CBS e perguntou se podia pegar em Star Trek, a lendária série de ficção científica. Apesar do sucesso no cinema, a saga não tinha uma série de televisão no ar na altura. Não aconteceu nada. Este ano, Star Trek: Discovery, uma nova série dramática e soturna do franchise, chegou aos ecrãs, sem qualquer envolvimento do criador de Family Guy. Em vez disso, MacFarlane criou a sua própria série ao estilo original da série de Gene Rodenberry. E pôs-se a ele próprio como protagonista de The Orville, que chega esta segunda-feira, às 23h05, à FOX portuguesa.

Não vem propriamente do nada. O próprio MacFarlane sempre demonstrou o seu apreço por Star Trek e tem dito, em entrevistas, que desejava fazer algo do género há décadas, muito antes de ter começado a criar séries de animação sobre famílias. Ainda assim, quem esperar uma paródia de Star Trek ou o tom das séries animadas de MacFarlane, que incluem também American Dad! e Cleveland Show, ou mesmo dos seus filmes, tais como a paródia dos lugares comuns de westerns Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas, encontrará só uns resquícios disso por estes lados.

É que The Orville, passada daqui a 400 anos, é uma série de ficção dramática, levada a sério, em que existem piadas e um sentido de humor absurdo, mas há longos momentos sem isso. Se não fosse a cara e a voz de MacFarlane, seria possível uma pessoa esquecer-se de onde é que isto tudo veio. Mesmo o trailer difundido antes de a série se estrear nos Estados Unidos, cheio de piadas, fazia antever algo bastante diferente do que é na realidade.

Em entrevista à revista Forbes, o criador explicou que queria um tom entre o drama e a comédia, que a série tem episódios de uma hora (ou 40 minutos, se descontarmos a publicidade) e para isso é preciso uma história que o justifique, em vez de apenas piadas – também menciona o carácter humanista da série original. O melhor exemplo do tom que procurava, diz, na história da ficção televisiva, era M*A*S*H, a adaptação em série do filme de Robert Altman – e do livro de Richard Hooker – que fez de Alan Alda uma estrela internacional. E, aqui, a ideia era ter uma série que tivesse o espírito convidativo e divertido para os espectadores do Star Trek original. Só que, claramente, com mais humor, apesar de ter a mesma vontade de lidar com temas complexos e tópicos importantes da actualidade. Uma espécie de antídoto para as séries e os filmes de ficção científica ásperos e escuros que existem nos dias que correm, incluindo a mais recente encarnação de Star Trek.

É televisão feita em grande escala, com um orçamento grande para incluir efeitos especiais e música feita à medida. Como uma das paixões de MacFarlane, além de cultura pop em geral, é a música – não é à toa que ele tem discos a cantar como crooner –, cada episódio tem uma orquestra de 75 pessoas a tocar temas feitos por vários compositores.

Ao lado de MacFarlane, que faz o papel do capitão Ed Mercer, a quem é dado comando de uma nave chamada Orville, estão nomes como Adrianne Palicki, de Friday Night Lights e Agents of S.H.I.E.L.D., no papel da sua ex-mulher e imediata da nave, Penny Johnson Jerald, que fez parte do elenco de Deep Space Nine, uma série de Star Trek, bem como Larry Sanders Show, ou Scott Grimes, de Adultos à Força e Irmãos de Armas. Pessoas como Victor Garber, de A Vingadora, Liam Neeson, Charlize Theron, Jeffrey Tambor, de Larry Sanders Show, Arrested Development e Transparent, ou Holland Taylor, de Dois Homens e Meio, também fazem aparições ocasionais neste universo.