Reportagem

Intriga em Harare

Políticos, diplomatas e centenas de documentos dos serviços secretos do Zimbabwe dizem que o vice-presidente Mnangagwa, e outros actores políticos, têm vindo a posicionar-se para o dia em que Mugabe, 93 anos, resigne ou morra. Há 37 anos no poder, o Presidente responde: "Não estou a morrer".

Em Janeiro deste ano, apareceu nos meios de comunicação do Zimbabwe uma fotografia que mostrava o vice-presidente Emmerson Mnangagwa a beber um copo com um amigo. Na mão, não tinha um copo mas uma caneca — grande e onde se lia “EU SOU O CHEFE”.

Para os apoiantes do Presidente Robert Mugabe, essas palavras soaram a traição. Não são os únicos a pensar assim. Suspeitam que Mnangagwa, conhecido pela alcunha de O Crocodilo, já se veja na posição do cada vez mais frágil Mugabe, de 93 anos e único líder que o país do sul de África conheceu desde que em 1980 foi proclamada a independência ao Reino Unido. 

De acordo com políticos, diplomatas e centenas de documentos da Organização Central de Inteligência (CIO) do Zimbabwe a que a Reuters teve acesso, Mnangagwa e outros actores políticos têm vindo a posicionar-se para o dia em que Mugabe resigne ou morra.

Oficialmente, Mugabe não tem planos para entregar o poder a curto prazo. Prepara-se aliás, apoiado pelo seu partido ZANU-PF, para disputar eleições no próximo ano, enfrentando uma grande coligação encabeçada pelo seu adversário de longa data, Morgan Tsvangirai.

Mas os relatórios secretos, que cobrem o período de 2009 até ao presente, afirmam que um grupo de poderosos está a planear a remodelação do país na era pós-Mugabe. Aspectos-chave dos planos de transição descritos nos documentos foram já corroborados em entrevistas a fontes políticas, diplomáticas e dos serviços secretos que tiveram lugar no Zimbabwe e na África do Sul.

Os documentos e as fontes dizem que Mnangagwa, advogado de 73 anos e aliado de longa data de Mugabe, planeia cooperar com Tsvangirai na liderança de um governo de transição durante cinco anos, com o apoio tácito do Reino Unido e de alguns dos chefes militares do Zimbabwe. O objectivo declarado seria o de evitar o caos que se seguiu a actos eleitorais no passado, e as informações deixam em aberto a possibilidade de esse governo subir ao poder sem eleições.

Tal governo de unidade teria como prioridade estabelecer novas relações com os milhares de agricultores brancos afectados pelas violentas apreensões de terras decretadas por Mugabe nos anos 2000. O plano passaria pela compensação e reintegração dos agricultores com o intuito de reavivar o sector agrícola, pilar da economia do país e que colapsou catastroficamente depois das apropriações.

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Segundo várias fontes, Mnangagwa (foto da direita) planeia cooperar com Tsvangirai na liderança de um governo de transição, com o apoio tácito do Reino Unido e de alguns dos chefes militares do Zimbabwe reuters

 Os documentos confirmam que Mnangagwa acredita que a estimulação do sector da agricultura comercial é absolutamente vital: “Mnangagwa compreende que vai precisar dos agricultores brancos no terreno quando subir ao poder. Irá usá-los para ressuscitar a indústria agrícola, que reconhece ser a espinha dorsal da economia”, pode ler-se num relatório datado de 6 de Janeiro de 2016.

Mnangagwa não respondeu a repetidos pedidos da Reuters para comentar os documentos confidenciais ou a fotografia em que aparecia com a caneca. Um seu assessor dirigiu as perguntas para o Ministério dos Meios de Comunicação, da Informação e dos Serviços de Radiodifusão, que também não respondeu.

Tsvangirai, antigo líder sindical de 65 anos que goza de grande popularidade entre a população, disse em Junho em entrevista à Reuters que não põe de parte uma coligação com adversários políticos, como Mnangagwa, e que quer que os agricultores brancos voltem a ter um “papel positivo”.

Questionado sobre os relatórios que mencionam a existência de reuniões secretas entre os dois potenciais parceiros de coligação e os seus intermediários, Tsvangirai afirmou em Agosto: “Nunca me encontrei com representantes de Mnangagwa para discutir uma possível cooperação ou coligação, embora eles tenham expressado a vontade de se reunir comigo para falarmos de vários assuntos.”

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Tommy Bayley viu as suas propriedades invadidas em 2000, quando a economia caiu a pique e a produção agrícola passou de 40 % de exportações para apenas 3 % Howard Burditt/ reuters

Promover a desinformação, diz o Reino Unido

De acordo com os relatórios consultados, Mugabe tomou conhecimentos dos planos de Mnangagwa para os agricultores brancos no início deste ano. “Mugabe é completamente contra a ideia de Mnangagwa se tornar demasiado amigo dos brancos”, pode ler-se num relatório dos serviços de informação do Zimbabwe, datado de 27 de Fevereiro. “Teme que Mnangagwa reverta a reforma agrária e devolva as terras aos brancos”. O gabinete de Mugabe não comentou.

Um porta-voz da embaixada britânica em Harare afirmou que o Reino Unido não está envolvido em quaisquer planos para uma coligação que suceda a Mugabe. “O Reino Unido não apoia qualquer partido, candidato, facção ou coligação no Zimbabwe. Cabe aos cidadãos do Zimbabwe, através de eleições livres e justas, escolher quem querem que os governe.” A embaixada afirmou que os rumores e os documentos secretos divulgados apenas servem para promover a desinformação.

Os documentos abarcam todo o espectro da paisagem política do Zimbabwe e contêm afirmações depreciativas relativamente a todas as principais figuras, incluindo Mugabe. Um relatório de 13 de Junho refere que Mugabe se encontra “extremamente debilitado” e que já teria dito à sua mulher, Grace, que “os seus dias na Terra estão rapidamente a escassear.”

A Reuters não conseguiu determinar quais os pretendidos destinatários dos documentos ou a sua origem exacta dentro do CIO. Oficialmente, a agência presta contas a Mugabe, mas fragmentou-se à medida que foi crescendo a oposição ao seu governo, que dura há 37 anos, disseram dois agentes dos serviços de informação do Zimbabwe.

Os mesmos relatórios sustentam a ideia de que alguns dos generais do exército de Mugabe já não desdenham Tsvangirai — que nunca teve o respeito dos militares pelo seu passado como líder sindical e não como veterano da libertação. Segundo um documento datado de 2 de Junho, a maior parte das altas-patentes “está convencida de que é melhor aliarem-se clandestinamente a Tsvangirai para que haja mudanças, têm vindo a trabalhar secretamente com ele e não vêem nele qualquer problema.”

Um outro relatório, de 13 de Junho, afirma que “nos últimos dias, os oficiais de topo das forças de segurança se têm reunido clandestinamente com Mnangagwa para falarem sobre Mugabe. Todos concordam que, devido à sua saúde frágil, Mugabe é neste momento uma ameaça para a segurança.” Um porta-voz do exército não respondeu aos pedidos escritos e telefónicos de comentário.

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Philimon Bulawayo;

O declínio do Zimbabwe

Quando Mugabe subiu ao poder em 1980 herdou uma economia recheada de recursos naturais, uma moderna agricultura comercial e uma força de trabalho bem-qualificada. O presidente da Tanzânia Julius Nyerere disse-lhe na altura: “Herdaste uma jóia. Mantém-na assim.”

Nos primeiros anos, Mugabe, um antigo guerrilheiro marxista, foi elogiado por melhorar os sistemas de saúde e de educação e por promover o crescimento económico e a reconciliação com a minoria branca, incluindo os agricultores. Mas em 1998 o Movimento de Mudança Democrática de Tsvangirai emergiu como uma séria ameaça ao ZANU-PF, e Mugabe mudou de curso.

A economia caiu a pique quando apoiantes de Mugabe e agricultores negros inexperientes tomaram conta das terras. Até 2000, a agricultura representava 40 % do total de exportações; uma década depois, esse número era de apenas 3 %.

Entre 1998 e 2008, o PIB diminuiu para quase metade. Para compensar, o banco central começou a imprimir mais dinheiro, o que fez disparar a inflação. No seu pico, os cidadãos compravam pães com notas de 100 triliões de dólares zimbabueanos.

Em 2009, Mugabe foi obrigado a ceder parte do controlo a um governo de unidade, que substituiu o completamente desvalorizado dólar zimbabueano pelo dólar americano, conseguindo retomar o crescimento económico. Mas desde que, nas eleições de 2013, Mugabe voltou a assumir o controlo pleno dos destinos do país, o crescimento desvaneceu-se e o banco central começou a emitir “notas de obrigação”, uma nova moeda interna indexada ao dólar americano e que já está a desvalorizar.

É para fazer frente a este desastroso cenário económico que os potenciais sucessores de Mugabe começaram a planear a sua partida.

Segundo os documentos confidenciais, a abertura de Mnangagwa a Tsvangirai e aos agricultores brancos tornou-se visível no início de 2015, num contexto de grandes divisões dentro do ZANU-PF. De um lado está a facção de Mnangagwa — a que chamam “Equipa Lacoste”, numa alusão ao logótipo da marca francesa de roupa e à alcunha do vice-presidente —, e do outro o G40, grupo de jovens membros do ZANU-PF que se uniram à volta da mulher de Mugabe, Grace, de 52 anos.

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Grace Mugabe é apoiada pelo G40, grupo de jovens membros do ZANU-PF que se uniram à sua volta na esperança da sucessão

“Mnangagwa teve esta semana um deslize que enfureceu Mugabe e Grace: sob influência de álcool, disse a quem queria ouvir que as eleições de 2013 foram manipuladas pelo ZANU-PF”, lê-se num relatório de 19 de Março de 2015. “O seu problema com a bebida está a piorar, e é agravado pelo facto de que muitos brancos, incluindo Taffs [Charles Taffs, ex-presidente da CFU, a União Comercial de Agricultores do Zimbabwe], se tornaram amigos de Mnangagwa e estragam-no oferecendo-lhe uísque. Agora é festa atrás de festa para Mnangagwa e amigos, porque tem acesso a uísque de graça, sem dificuldades e em grande quantidade.”

Mnangagwa e o Ministério da Informação declinaram comentar. Um dos aliados do vice-presidente, Christopher Mutsvangwa, rejeitou as acusações sobre o consumo de álcool de Mnangagwa, afirmando à Reuters que Mnangagwa “nunca bebe muito. Aliás, é muito disciplinado quando bebe álcool. nos últimos tempos nem o tenho visto beber.”

Por email, Taffs afirmou que “como presidente da CFU, encontrei-me diversas vezes no passado com o vice-presidente, mas nunca tomei bebidas com ele ou lhe ofereci uísque ou qualquer outro presente.”

Taffs rejeita ainda as alegações presentes nos documentos sobre os planos de um governo de unidade: “Nunca estive envolvido em quaisquer planos ou discussões sobre a formação de um governo de coligação não-eleito.”

Massacres a manchar a reputação

O problema para Mnangagwa é que, de acordo com os analistas políticos, dificilmente conseguirá ser eleito se concorrer sozinho a presidente. O seu passado na luta pela libertação, ao lado de Mugabe contra o odiado governo de minoria branca do que era então a Rodésia, granjeia-lhe créditos firmados. Contudo, a sua reputação sofreu um golpe no início dos anos 80, quando o exército do Zimbabwe reprimiu brutalmente a dissidência, principalmente na província ocidental de Matabeleland Norte.

Na chamada “repressão de Gukurahundi”, a 5.ª Brigada do Exército, treinada na Coreia do Norte, assassinou cerca de 20 mil pessoas, a maior parte das quais pertencente à tribo Ndebele. Mnangagwa era à época ministro da Segurança do Estado. Sempre negou qualquer envolvimento nos massacres, e não quis agora prestar novas declarações, mas aos olhos de muitos eleitores está demasiado manchado para poder ser eleito.

Mnangagwa não conseguiu ser eleito para o Parlamento em 2000 e em 2005, mas Mugabe ofereceu-lhe um lugar de deputado não-eleito, e tornou-se porta-voz parlamentar em 2000. É vice-presidente desde 2014.

Por seu lado, Tsvangirai ficou à frente de Mugabe na primeira volta das eleições de 2008, mas desistiu na segunda volta devido à violência que assolou o país. Mnangagwa, dizem apoiantes e diplomatas ocidentais, vê em Tsvangirai um político que pode reunir um vasto apoio da população, e complementar assim os seus próprios contactos com os poderosos interesses políticos e militares.

Mnangagwa e o Ministério da Comunicação Social não responderam aos pedidos de contacto.

E no meio, os militares

Christopher Mutsvangwa, apoiante de Mnangagwa e presidente da Associação dos Veteranos da Guerra da Libertação, cujos membros incluem quem esteve envolvido na expulsão dos agricultores brancos há vinte anos, afirmou que Tsvangirai poderá ter um papel relevante no governo se Mnangagwa chegar a presidente.

“Por que não pode haver um acordo com Tsvangirai?”, disse Mutsvangwa, de 62 anos, numa entrevista em Harare, em resposta a uma pergunta sobre a hipótese de um governo de coligação liderado por Mnangagwa e Tsvangirai. Na sua opinião, uma parceria entre os dois seria unificadora, num país marcado por profundas divisões políticas: “Se eles decidirem coligar-se isso será bom, porque representam círculos eleitorais historicamente sólidos.”

“Mutsvangwa está mais do que preparado para assegurar que Mnangagwa e Tsvangirai formam uma aliança. Diz que neste momento o país não precisa de eleições, só de uma mudança de liderança e de estrutura governativa”, lê-se num relatório confidencial de 22 de Fevereiro.

Quando questionado sobre o acordo descrito nos documentos que vieram a público, Mutsvangwa afirmou que as eleições têm de seguir a Constituição, e que uma elite não podia governar “destituída de legitimidade popular”.

Disse ainda que o seu dever é trabalhar com todas as forças políticas, e que se tinha “aproximado” de Tsvangirai e da “diáspora branca pós-colonial”, acrescentando que, como presidente dos veteranos de guerra, gostaria de garantir que um camarada sucede a Mugabe, e que Mnangagwa podia naturalmente aspirar ao cargo mais alto do país.

Numa declaração de 2016, os veteranos de guerra, muitos dos quais estão agora à beira da reforma, acusaram Mugabe de estar “ideologicamente falido” e de ignorar a difícil condição da população do Zimbabwe à medida que a economia implodiu. Mutsvangwa, por sua vez, reafirmou que o seu único objectivo é a reconstrução do país e da economia.

Para Tsvangirai, um acordo com Mnangagwa pode ser a sua melhor hipótese para alcançar o poder que há décadas persegue. Quando falou à Reuters em Junho, não excluiu a possibilidade de uma coligação.

“Este momento é de disputa eleitoral, mas depois disso, quem sabe? As duas coisas mais importantes são a estabilidade e a legitimidade. Só assim o país pode avançar”, declarou Tsvangirai.

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Em Julho, Grace Mugabe desafiou o Presidente a nomear um sucessor, o que levou Mugabe a afirmar num comício que não iria resignar e que “não estava a morrer” Philimon Bulawayo/reuters

Grace no lugar do marido?

No meio da disputa pelo poder, uma figura que emerge pela sua influência é Catriona Laing, a embaixadora britânica no Zimbabwe. E, segundo quatro pessoas com conhecimento directo das conversações sobre uma possível coligação para a reconstrução pós-Mugabe, Mnangagwa é o favorito de Laing.

Laing negou um pedido de entrevista, mas a embaixada do Reino Unido rejeitou liminarmente tais alegações, afirmando que a última vez que Laing se encontrou com Mnangagwa foi em Maio de 2016, e para falar de questões políticas de rotina. “A embaixadora não se encontrou com o vice-presidente ou com qualquer pessoa a ele ligada para discutir a formação de um governo de coligação”, declarou o porta-voz da embaixada. “O Reino Unido rejeita inequivocamente as alegações de que apoia um candidato em particular para suceder a Mugabe.”

De acordo com um documento confidencial de 16 de Novembro de 2015, a mulher de Mugabe suspeita que os ingleses apoiam Mnangagwa: “Grace considera que o lado de Mnangagwa está cheio de vendidos, que agora trabalham em conjunto com os ingleses para derrubar o seu marido.”

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Catriona Laing, a embaixadora britânica no Zimbabwe

E num relatório de 2 de Março de 2016 pode ler-se que “Laing, que fala de mais, anda a dizer a outras embaixadas que Mnangagwa é o escolhido para suceder a Mugabe.”

Os documentos não oferecem qualquer prova de tais alegações, e a Reuters não conseguiu confirmá-las.

Não é certo que algum plano para uma coligação possa dar frutos. Mesmo com a ajuda de alguns generais do exército, Mnangagwa irá enfrentar forte oposição por parte de Grace Mugabe e do grupo G40, que a apoia na sua demanda para ficar com o lugar que o marido ocupa há quase 40 anos.

Em Julho, Grace desafiou o marido a nomear um sucessor, o que levou Mugabe a afirmar num comício que não iria resignar e que “não estava a morrer”.

“Terei uns problemas de saúde aqui e ali, mas a nível do corpo, todos os meus órgãos internos, muito firmes, muito fortes”, disse, ao mesmo tempo que se apoiava no púlpito.

A facção de Grace Mugabe sofreu este mês um revés, quando ela foi acusada de agredir uma modelo sul-africana de 20 anos com um cabo eléctrico num luxuoso hotel de Joanesburgo. Grace Mugabe não prestou declarações públicas sobre o sucedido, mas os seus apoiantes dizem que as alegações são falsas. Pretória concedeu-lhe imunidade diplomática, permitindo-lhe evitar uma acusação formal, mas a Aliança Democrática, o principal partido da oposição sul-africana, está a contestar em tribunal essa decisão.   

Em Harare, alguns diplomatas dizem que os Estados Unidos e a União Europeia se opõem à intenção do Reino Unido de apoiar Mnangagwa, porque temem ser ostracizados pelo ZANU-PF e pelo G40 se as circunstâncias se acabarem por desenrolar contra as pretensões de Mnangagwa.

A embaixada britânica em Harare mantém que não deu qualquer passo para influenciar a sucessão de Mugabe, e que tais rumores só servem para espalhar informação falsa. Um porta-voz da embaixada americana também afirmou que o país não apoia qualquer candidato ou partido. E o embaixador da União Europeia, Philippe Van Damme, afirmou numa declaração por email que o bloco, incluindo o Reino Unido, não apoia qualquer partido ou facção no Zimbabwe, mas que apoia reformas “independentemente de quem as ponha em prática”.