Benfica cansou United e Huddersfield agradeceu

Equipa recém-promovida à Premier League impõe a primeira derrota a José Mourinho na prova inglesa e deixa Manchester City mais isolado no comando. Guedes brilhou em Valência.

Mourinho não conseguiu ultrapassar determinação do Huddersfield
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Mourinho não conseguiu ultrapassar determinação do Huddersfield Reuters/ANDREW YATES

Esteve 45 anos fora do escalão principal, mas houve uma era em que o Huddersfield Town foi a maior potência futebolística inglesa. E já depois deste período dourado, em que conquistaram três campeonatos consecutivos, entre 1923 e 1926, ainda escandalizaram Old Trafford, em 1930, com uma goleada por 6-0. Este sábado, no reencontro com o Manchester United, desta vez em casa, voltaram a ferir os “red devils” impondo a primeira derrota ao conjunto de José Mourinho no campeonato (2-1). A vitória frente ao Benfica, no Estádio da Luz (1-0), para a Liga dos Campeões, teve reflexos no rendimento doméstico.

Foi um rude golpe para as pretensões do treinador português de conquistar a Premier League no seu segundo ano de trabalho à frente do United. Especialmente porque o City se afastou no topo da classificação, após derrotar em casa o Burnley por 3-0, somando agora mais cinco pontos do que o seu grande rival de Manchester. E Mourinho pode ainda ser apanhado pelo Tottenham, na segunda posição, caso os londrinos vençam neste domingo o Liverpool na capital britânica.

O desaire encerra também um ciclo de 12 jogos do United sem derrotas, que durava desde a perda da Supertaça Europeia para o Real Madrid (2-1), a 8 de Agosto. Em Huddersfield, os "red devils" sofreram tantos golos como aqueles que tinham consentido nas primeiras oito jornadas da Premier League. Na verdade, os mesmos que tinham averbado no empate a duas bolas em Stoke City, na quarta ronda do campeonato, tendo mantido a baliza inviolada nos restantes sete encontros.

Para o modesto Huddersfield Town o dia foi de celebração pelo maior feito desportivo da sua história recente, excluindo a complicada e inédita subida à Premier League, confirmada no final de Maio da temporada passada, ao bater o Reading no play-off de acesso, no desempate por grandes penalidades. A última vez que estiveram entre a elite do futebol inglês fora na época de 1971-72, quando o principal campeonato era ainda denominado de Division One. Desceram para 45 anos de interregno num ano marcado pelos atentados nos jogos Olímpicos de Munique e pela reeleição de Richard Nixon para a presidência dos EUA.

Um longo jejum que não apagou os anteriores feitos do centenário emblema, fundado em 1908. Foi o primeiro clube a conquistar três títulos consecutivos - antecedidos por uma Taça de Inglaterra (1921-22) e a uma Supertaça inglesa (1922) -, um feito apenas igualado, mas nunca superado, por três outros adversários, mas com estatuto de “grandes”: Arsenal (entre 1932 e 1935); Liverpool (1981-1984) e Manchester United (1998-2001 e 2006-2009).

O histórico triunfo frente ao conjunto de Mourinho que apagou os dois recentes insucessos na Premier League, um dos quais com tons de humilhação, neste mesmo John Smith's Stadium, frente ao Tottenham, que aqui venceu sem contemplações por 4-0, há menos de um mês. Com estes três pontos, o Huddersfield Town sobe à 11.ª posição da Premier League e faz acreditar que esta não é uma visita efémera ao primeiro escalão.

Para estes êxitos recentes, tem contribuído o treinador germano-americano David Wagner, de 46 anos, que cumpre a terceira temporada à frente da equipa. Um técnico que antes de rumar a Inglaterra, na época 2015-16, orientara as equipas de formação do Borussia de Dortmund, numa altura em que a equipa principal era dirigida por Jürgen Klopp, actual treinador do Liverpool.

Os dois golos do triunfo do Huddersfield foram apontados nos primeiros 33 minutos do encontro. Aos 28’, o médio australiano Aaron Mooy abriu o marcador e, cinco minutos depois, o ex-ponta-de-lança belga do FC Porto Laurent Depoitre ampliou a vantagem, beneficiando de um erro do ex-defesa central benfiquista Victor Lindeloef, que entrara aos 23’ para render o lesionado Phil Jones. Com muito tempo e talento para inverter a sua sorte, o United apenas conseguiu reduzir os danos, com o golo de honra, já aos 78’, da autoria de Marcus Rashford, que saiu do banco na segunda parte do encontro.

Se Mourinho não foi feliz no campeonato inglês, Gonçalo Guedes teve uma tarde de sonho na liga espanhola. Com dois golos e uma assistência para outro, o internacional português brilhou pelo Valência, na goleada caseira, por 4-0, imposta ao Sevilha, que fora também goleado na quarta-feira na Liga dos Campeões, na deslocação ao recinto do Spartak de Moscovo (5-1). O triunfo dos valencianos manteve a equipa na segunda posição do campeonato. Para ver e rever é a jogada de Guedes que abriu o marcador, numa grande finalização do ex-benfiquista após tirar da frente vários adversários. Este promete ser o seu ano de afirmação em Espanha.