Sara Sampaio denuncia revista francesa que publicou foto sem o seu consentimento em que está nua

Contrato da modelo portuguesa não prevê nus e a jovem juntou-se à campanha #MyJobShouldNotIncludeAbuse.

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REUTERS/Jean-Paul Pelissier

Na última edição da revista francesa Lui, uma publicação para homens, Sara Sampaio aparece nua. Esta foto não foi autorizada pela modelo, que pretende processar a revista, uma vez que o contrato que fez não previa fotografias em que surgisse nua.

A modelo junta-se assim à campanha #MyJobShouldNotIncludeAbuse, iniciada pela também modelo Cameron Russell, depois de ser conhecido o caso de assédio por parte do produtor de cinema Harvey Weinstein. Nesta campanha é denunciado que o assédio e o abuso sexual não ocorrem só na indústria cinematográfica e é pedido às modelos que partilhem as suas histórias de abuso.

Sara Sampaio conta no Instagram que concordou em fazer a capa da Lui do Outono com a condição de não aparecer nua e que tal está vertido para o contrato. Durante toda a sessão fotográfica, feita por David Bellemere, a modelo foi pressionada para fazer um nu integral, o qual recusou e procurou sempre proteger-se. No final, percebeu que havia imagens mais comprometedoras, falou sobre isso e foi-lhe assegurado que tais fotos não seriam usadas. Não foi o que aconteceu. “É uma clara violação do acordo”, escreve naquela rede social na qual tradicionalmente se partilham fotografias.

Numa longa declaração, com seis imagens só de texto, Sara Sampaio conta que a pressão da Lui não é algo novo na sua vida profissional, que no passado foi muito pressionada para posar nua para fotografias, que em estúdio mostraram-lhe imagens suas nua, para a coagir a repeti-las. E isto é bullying, declara. 

Sara Sampaio, que diz que a consideram “difícil” por não fazer nus facilmente, acrescenta que não tem problema em fazê-los, desde que sejam artísticos e criativos. Mas não é porque já o fez no passado que é legítimo apresentá-la nua numa capa de revista. “Tenho o direito de mostrar o meu corpo como, quando, onde e nas circunstâncias que eu escolher. É uma opção minha. E, quando faço essa escolha, espero ser tratada com respeito e profissionalismo”, escreve.

Agora, a modelo, a sua agência e o seu advogado estão a ponderar como agir judicialmente contra a revista francesa. “Sinto-me violada, maltratada e desrespeitada como profissional e como mulher. Quero evitar que tal volte a acontecer-me ou a outra modelo.”

Sara Sampaio termina incentivando outras profissionais a partilharem as suas histórias – a modelo ponderou muito se o faria e teve receio de avançar, confessa num comentário que acompanha o seu texto. “Como modelos e como mulheres temos de nos unir e exigir o respeito que merecemos. Temos o direito de fazer as nossas escolhas pessoais acerca do nosso corpo, da nossa imagem e das nossas vidas”, termina.