Diogo Miranda: “Se amanhã tivesse de fechar, já estava contente pelo que tinha feito”

O designer português celebra dez anos de carreira e prepara-se para o último desfile do ano na 41.ª edição do Portugal Fashion.

O designer na edição 38.ª do Portugal Fashion
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O designer na edição 38.ª do Portugal Fashion mrh Martin Henrik
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Ana Sofia Martins na campanha de 10 anos Joel Bessa
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Sónia Balacó na campanha de 10 anos Joel Bessa
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Débora Monteiro na campanha de 10 anos Joel Bessa
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Luísa Beirão na campanha de 10 anos Joel Bessa
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Isabel Branco na campanha de 10 anos Joel Bessa
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Desfile de Outono/ Inverno 2017/18 D.R.
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Desfile de Outono/ Inverno 2017/18 D.R.
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Desfile de Outono/ Inverno 2017/18 D.R.
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Desfile de Outono/ Inverno 2017/18 D.R.
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Desfile de Outono/ Inverno 2017/18 D.R.
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Colecção resort 2018 D.R.
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Colecção resort 2018 D.R.
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Colecção resort 2018 D.R.

O que é mudou na “mulher Diogo Miranda” ao longo de dez anos? O designer responde que “não mudou nada”, essa mulher apenas cresceu. A poucos meses de finalizar o ano, Diogo Miranda está ainda em clima de celebração pela década de trabalho. Depois da campanha fotográfica em que reuniu dez mulheres, amigas e clientes de várias gerações e meios profissionais, o designer fecha com chave de ouro nesta sexta-feira, quando apresentar a colecção Primavera/Verão 2018 na Alfândega do Porto, durante o Portugal Fashion.

As dores de crescimento e a evolução do estilo de uma mulher numa década não foram preponderantes para que “a sensualidade e a confiança” – dois dos atributos que Diogo Miranda procura incutir na figura feminina –, se perdessem pelo caminho. “Nas primeiras colecções, eu ainda estava a escolher o meu caminho. A mulher de então tinha alguns traços da mulher de hoje, mas de uma forma mais ousada. Hoje, a mulher Diogo Miranda é mais sóbria e elegante”, diz ao Culto.

A ousadia dos anos de 2007 e 2008 – como a gabardine de cor cinzenta metálica da colecção de Outono/Inverno ou a blusa transparente de Primavera/Verão, respectivamente – é explicada pela vontade de se afirmar no mundo da moda. “Talvez antigamente fizesse as coisas inconsistentemente, não estava tão preocupado em vender. Tinha a preocupação de um jovem criador de me mostrar”, explica.

Pouco tempo antes de criar a marca em nome próprio, Diogo Miranda ganhou experiência como designer dentro de empresas do sector têxtil. Ao final do dia, o trabalho continuava: num pequeno escritório que alugou para preparar as colecções individuais para alguns clientes e para as edições do “Concurso de Jovens Criadores” do Portugal Fashion – o percursor do actual concurso Bloom.

“Quando se trabalha para uma grande superfície, uma marca de massas, há certas coisas que não passam por nós”, refere Diogo Miranda. Decidiu largar o primeiro trabalho e apostar numa carreira, já com o apoio do Portugal Fashion, passando do desfile no espaço Bloom para o “palco” principal. Começou “uma empresa do zero”, segundo as suas palavras, com os conselhos e sabedoria do pai – grande parte da sua família tem negócio próprio –, e hoje a marca Diogo Miranda conta com dez colaboradores. “Queria atingir um nível de clientes que não se importa de pagar mais, porque sabe que tem um vestido de um criador, com materiais nobres, que assenta no corpo impecavelmente”, acrescenta.

Um salto para o Médio Oriente e EUA

Foi há cerca de cinco anos, que “caiu a ficha” a Diogo Miranda quando recebeu uma encomenda do estrangeiro com um valor significativo e percebeu que seria mais bem-sucedido lá fora do que cá dentro. “No início de carreira, está-se um bocado fechado em Portugal. Pensa-se que com as palmadinhas nas costas e o 'adorei' servem para ter sucesso”, recorda.

A partir do momento em que percebeu a nova realidade, fez showrooms e feiras para perceber quais os países que seriam o seu público-alvo. Paris, Londres, Berlim e Nova Iorque foram alguns dos destinos. No ano em que celebra dez anos de carreira, pode concluir que o Médio Oriente e os EUA são os maiores compradores. Tal significa, muitas vezes, ter atenção a determinados pormenores nas colecções. “Entre estes dois países há imensas diferenças: vestidos sem manga, temos de pôr manga; e os decotes não podem ser tão acentuados no Médio Oriente. Eu já tenho esse cuidado. Sei que há peças que vão resultar num mercado e não no outro”, esclarece.

Em Portugal não factura como no exterior, mas isso nunca o fez retirar a produção de Felgueiras, de onde é natural. Se há alguns anos, a reacção dos estrangeiros à produção portuguesa não era positiva, hoje o país está a usufruir do "estar na moda". “Muita gente em Paris disse-me que queria vir para Portugal para começar a produzir colecções”, garante. 

Algumas figuras públicas como a modelo Sara Sampaio, as actrizes Cláudia Vieira e Joana Ribeiro e a it-girl brasileira Helena Bordon vestiram Diogo Miranda. E embora os momentos que usaram a marca sejam as etapas mais significativas da carreira, o designer português não tem a pretensão de vestir todos os que estão sob os holofotes. “Eu já sou um bocado conhecido em Lisboa por não vestir toda a gente”, ri-se. “Não é por não gostar das pessoas, é por elas não atingirem o público que pretendo”, explica.

Eleito em 2015 como 'homem do ano' pela revista GQ, Diogo Miranda ainda tem alguns desafios pela frente como criar uma linha masculina: “O homem faz compras muitas mais acertadas do que a mulher”. No entanto, se tivesse de parar hoje, saía de cena com a consciência tranquila. “Se amanhã tivesse de fechar a marca, por alguma razão, já estava contente pelo que tinha feito”, confessa.

Da colecção Primavera/Verão 2018 pode-se esperar, mais uma vez, uma silhueta feminina, só que agora inspirada num cisne, “o animal mais elegante”, define. Laços, volumes e mangas volumosas vão caracterizar a mulher Diogo Miranda do próximo ano.