Samsung reinventa assistente digital para falar com electrodomésticos

A empresa admitiu as falhas da primeira versão da assistente Bixby – e anunciou uma versão melhorada, que trabalha com electrodomésticos, e pode ser expandida para serviços de terceiros.

A Samsung diz que há 10 milhões de pessoas a utilizar a Bixby
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A Samsung diz que há 10 milhões de pessoas a utilizar a Bixby Reuters/KIM HONG-JI

Durante a conferência de programadores da Samsung – que teve lugar esta quarta-feira em São Francisco, EUA – a empresa sul-coreana anunciou a reinvenção da sua assistente digital, a Bixby, e admitiu as falhas com a primeira versão que, cinco meses depois de ser anunciada, só falava coreano.

Agora, para tentar fazer frente às muitas assistentes digitais já no mercado – como o Assistant do Google, a Siri da Apple, e a Alexa da Amazon – "a Bixby 2.0 será omnipresente, e disponível em qualquer dispositivo". Ou seja, além de funcionar noutros aparelhos tecnológicos (como televisores, frigoríficos e máquinas de lavar), qualquer programador pode criar aplicações ou serviços que trabalhem com a Bixby. É algo que a Alexa e o Google Assistant já fazem.

“Sabemos que a Samsung não pode mudar o paradigma sozinha. Isso só acontece se todos nós, em todas as indústrias, trabalharmos juntos, em parceria”, disse o director do serviço de inteligência de comunicações móveis da Samsung, Eui-Suk Chung, em comunicado. “A Bixby 2.0 será um novo canal para programadores chegarem aos seus utilizadores, com os seus serviços, não só em aparelhos móveis, mas através de todos os dispositivos.”

Além disso, a nova versão será mais inteligente. A actualização da Bixby integra partes do Viv, um sistema de inteligência artificial de três dos criadores da Siri (a assistente virtual da Apple). Foi comprado pela Samsung em Outubro de 2016.

Segundo o director, a Samsung acredita num mundo em que as assistentes digitais têm um papel maior do que controlar aplicações num telemóvel e quer “transformar assistentes digitais básicas de uma tendência numa ferramenta de inteligência”. Nesse mundo, a Bixby é capaz de operar qualquer aparelho tecnológico, desde o frigorífico e máquina de lavar, até ao sistema de rega e adaptá-los ao utilizador. Por exemplo, um frigorífico com a Bixby pode recomendar receitas baseadas nos ingredientes no interior, e no televisor a Bixby procura as séries e programas preferidos do utilizador quando este liga o aparelho.

Para já, porém, não há informação de quando é que a Samsung vai lançar a Bixby 2.0 para os consumidores, ou disponibilizar a assistente noutros aparelhos. Apenas se sabe que vai chegar primeiro ao serviço de televisão da marca, a Samsung TV, nos EUA e na Coreia do Sul. Já a versão beta do kit de desenvolvimento da Bixby 2.0 foi lançada ontem, quarta-feira.

Com apenas seis meses de vida, a assistente digital da Samsung tem tido uma existência atribulada. Apresentada em Março como uma das novas funcionalidades do smartphone topo de gama Galaxy S8, a “Bixby 1.0” prometia ser capaz de abrir qualquer aplicação no smartphone a partir de comandos de voz, adaptar-se ao sotaque e expressões do utilizador (e não o contrário), identificar locais e produtos a partir de fotografias e pesquisar na Internet. Para a activar, bastaria carregar num botão do lado do smartphone. Mas quando o Galaxy S8 chegou ao mercado, a Bixby ainda não estava pronta para falar em inglês, só coreano – e o botão físico servia apenas para lembrar os utilizadores do atraso da marca no desenvolvimento da assistente.

Com o lançamento da versão inglesa nos Estados Unidos, em Julho, e da versão global em Agosto, a empresa diz que há 10 milhões de pessoas a utilizar a Bixby.