Processo de avaliação de desempenho no Politécnico do Porto gera contestação

"Os docentes afirmam que o seu trabalho não está a ser respeitado, nem dignificado" o que "está a gerar contestação", refere o Sindicato Nacional do Ensino Superior. Presidência do Politécnico mostra-se "surpresa".

Foto
PAULO PIMENTA

O Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) apontou esta quinta-feira que se vive uma "situação de agitação" no Instituto Politécnico do Porto (IPP), devido ao processo de avaliação dos docentes, denúncia que "surpreende" a instituição que fala em "completa normalidade".

"Os docentes afirmam que o seu trabalho não está a ser respeitado, nem dignificado" o que "está a gerar contestação", refere o sindicato, em comunicado, referindo-se "ao sistema de avaliação de desempenho dos docentes para os anos de 2004 a 2015".

Contactado pela Lusa, o IPP garante "total normalidade", mostrando "surpresa" com a posição do SNESup porque, disse o vice-presidente António Marques, "este sindicato foi privilegiado no processo de audição pública e foi integrada a maioria das suas propostas".

Na sua denúncia, o sindicato diz que o sistema de avaliação de desempenho dos docentes "penaliza a avaliação da generalidade dos mesmos, e maximiza a avaliação dos docentes que desempenharam cargos de gestão".

Numa reunião promovida recentemente pelo SNESup, "os docentes rejeitaram por unanimidade o processo de avaliação em curso, exigindo a revisão do mesmo", lê-se no comunicado.

"O IPP é o maior instituto politécnico do país, apresenta um bom posicionamento em vários rankings de investigação e transferência de conhecimento e uma das mais elevadas taxas de procura de novos alunos a nível nacional. Contudo, o trabalho desenvolvido pelos docentes, crucial para se obterem estes resultados, é claramente desvalorizado por este sistema de avaliação que é injusto, incompleto e desequilibrado", considera o sindicato.

Acrescenta que "os docentes, através do SNESup, têm apelado, continuamente, à presidência do IPP que retome rapidamente o diálogo, para que o descongelamento de carreiras em 2018 ocorra em condições justas e que dignifique os docentes e a instituição".

Já António Marques explicou que o processo esteve suspenso entre Março de 2016 e Junho deste ano porque foi considerado que alguns dos itens da grelha de ponderação curricular sumária "poderiam dar azo a alguma interpretação dúbia".

"E enviamos para toda a comunidade um pedido de contributos para que a grelha pudesse ser melhorada. Convidamos todos os sindicatos, privilegiamos o contacto directo com o SNESup, reunimos por vários momentos e integramos a maioria das propostas que o SNESup apresentou", descreveu o responsável do IPP.

Frisando que este processo de audição pública "não era obrigatório", o vice-presidente justificou que o IPP quis fazê-lo para "envolver de forma participada toda a comunidade e os seus representantes".

"Mas este esforço de mediação não podia ser levado ao limite e continuar até que houvesse um consenso absoluto, sob pena do processo estar ferido quando eventualidade se desse o descongelamento das progressões ", disse António Marques, segundo o qual "um ano já é um processo de audição singular no que diz respeito a estes processos na maioria das instituições de Ensino Superior portuguesas".

"Não aconteceu em mais nenhuma instituição haver um processo de audição que durasse um ano e com este esforço de tentar integrar a maior parte das propostas", concluiu o IPP.