Há revoluções nas ruas de Óbidos dentro de livros

Começou o Festival Literário Internacional de Óbidos que tem vindo a colocar a vila no panorama internacional da literatura.

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Nuno Ferreira Santos

Nascido em 2015, o Festival Literário Internacional de Óbidos (Folio), que teve nesta quinta-feira início, pretende ser um local de encontro para escritores, alunos, professores e amantes da literatura, fazendo desta uma vila literária. A ideia foi de José Pinho, fundador da livraria Ler Devagar, em Lisboa que visava pôr Óbidos no mapa por algo mais do que o seu chocolate ou o Natal. E conseguiu-o.

Este ano o tema prende-se com “Revoluções, Revoltas e Rebeldias” e decorrerá até domingo, 29 de Outubro, ou seja, dez dias passados entre as páginas de livros.

O tema surgiu de uma proposta do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, depois de ter visitado o festival em 2016. A sua ideia passava pela celebração do centésimo aniversário da revolução russa, que acontece este ano, e a organização optou, nessa linha de pensamento, por celebrar “todas as revoluções que transformaram a humanidade”.

Em Junho, soube-se que o Folio tinha perdido o seu principal patrocínio, proveniente do Turismo do Centro de Portugal, o que faria com que o festival não contasse com um Prémio Nobel da Literatura, à semelhança dos anos anteriores. Mas este percalço, em vez de uma dificuldade, foi encarado como um incentivo.

Feito com “mais vontade”

“Julgo que o festival se encontrou este ano,” confessa Celeste Afonso, vereadora da cultura na Câmara de Óbidos e organizadora do festival. “Os constrangimentos monetários obrigaram a repensar a logística do evento, que se ergueu à base de colaborações.”

Montado nos vários espaços da vila, utilizando até igrejas como auditórios, o festival foi feito “com mais vontade” e foram muitos os que quiseram ajudar na sua concretização, como o Centro Cultural de Belém (CCB) que cedeu a sua exposição “Memórias da Liberdade”.

Nesta edição do festival haverá exposições constantes, uma feira do livro repleta, formações no âmbito do programa “Folio Educa” e um total de 29 mesas repletas de escritores, provenientes de 14 países diferentes na que parece ser a edição mais internacional até à data.

Para Celeste Afonso, esta festa literária não se destaca por um só momento, mas pelo ambiente que o evento traz a Óbidos. “A premissa deste festival prende-se com o espaço mágico da vila. É a atmosfera da vila que deve mover as pessoas a vir, não apenas uma palestra ou um autor”, conta ao PÚBLICO.

A lista de convidados e eventos é vasta e variada. Desde painéis, que contam com autores como Ricardo Araújo Pereira ou Rodrigo Guedes de Carvalho, a workshops realizados por editoras como a Tinta da China, até concertos como o de Rodrigo Leão. É a promessa de dez dias repletos de livros dentro das muralhas.

Este ano, o festival aposta ainda na aliança ao Óbidos Wine Fest. Dois eventos paralelos que pretendem oferecer o “casamento perfeito” entre a literatura e os vinhos em dois espaços destinados a provas de vinhos e discussões à volta do tema principal do Folio.

O programa pode ser consultado em www.foliofestival.com.

Texto editado por Ana Fernandes