Construção quer saber levantamento dos prejuízos para intervir

A Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário considera "importante" obter "rapidamente" um levantamento dos prejuízos causados pelos incêndios.

LUSA/NUNO ANDRÉ FERREIRA
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LUSA/NUNO ANDRÉ FERREIRA

A Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) considerou nesta quinta-feira "importante" obter "rapidamente" um levantamento dos prejuízos causados pelos incêndios para que o sector, que vive também com "alguns problemas" de falta de mão-de-obra, possa intervir.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da CPCI, Manuel Reis Campos, afirmou que nesta altura é importante fazer "todo o levantamento" das necessidades e saber qual o "planeamento" que está a ser feito pelo Governo, entre outras entidades, para que o sector possa intervir no terreno.

"Na zona de Pedrógão Grande falávamos em 200 habitações, aqui (casas e estruturas afectadas pelos incêndios do fim de semana) tenho conhecimento que são muitas mais e, portanto, nós queremos também saber desse levantamento oficial, qual é a necessidade e a exigência e o volume da nossa intervenção", disse.

Na opinião do presidente da CPCI, que mostrou "total disponibilidade" do sector para "ajudar" nesta matéria, é importante obter esses dados "rapidamente", para que as empresas possam dimensionar-se e preparar-se para dar uma resposta.

Questionado se há ou não mão-de-obra suficiente para dar resposta a estes casos, Manuel Reis Campos recordou que, antes dos incêndios de Pedrógão Grande, o sector da construção já vivia confrontado com "alguns problemas" nesse sentido, mas, sublinha, que é uma questão que poderá ser ultrapassada. "Em Portugal, depois daquele período de austeridade, houve uma debandada do sector, uma restruturação, um redirecionamento, as empresas passaram a metade em termos de mão-de-obra, pois muita gente saiu para o exterior do país", recordou.

Miguel Reis Campos, prosseguiu, afirmando que o sector está "convicto" de que as empresas de construção civil "saberão analisar" e "debelar" esta situação para poder responder às necessidades. "O que nós precisamos neste momento é saber o que é que precisam. O que é que nós temos que fazer, se podemos concorrer, qual o planeamento que vai ser feito, porque o sector tem capacidade de responder a esta questão", disse.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano, segundo as autoridades, provocaram 42 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves. Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro. O Governo decretou três dias de luto nacional, entre terça-feira e hoje.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em Junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 vítimas mortais e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.