Família de soldado morto em combate ficou ofendida com Trump mas este desmentiu tudo

“Ele sabia o que lhe podia acontecer, mas acho que magoa”, foi isto que Trump terá dito à viúva de David Johnson, morto este mês por islamistas no Níger. O pai do soldado disse ainda que o Presidente lhe ofereceu 25 mil dólares.

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EPA/CHRIS KLEPONIS

O Presidente dos EUA, Donald Trump, denunciou nesta quarta-feira estar a ser vítima de uma notícia falsa. Negou ter feito um comentário considerado ofensivo sobre um soldado morto, à viúva deste. David Johnson estava entre o grupo de soldados americanos mortos por islamistas no Níger este mês. Segundo uma congressista democrata, Frederica Wilson, Trump telefonou à viúva para lhe dar os pêsames e disse a Myeshia Johnson: “Ele sabia o que lhe podia acontecer, mas acho que magoa”.

A congressista democrata disse que estava junto da viúva no momento do telefonema e que ficou chocada. “Eu não disse aquilo, ela fabricou a minha resposta e ela sabe-o”, disse Trump.

Mas, mais tarde, o pai do soldado afirmou que o Presidente norte-americano, durante a conversa que manteve com a família, ofereceu 25 mil dólares (mais de 21.200 euros) garantindo que iria instruir a sua equipa para que criasse uma campanha de recolha de fundos. “Ele disse: ‘Eu vou passar-lhe um cheque da minha conta pessoal de 25 mil dólares’ e eu fiquei perturbado”, disse Chris Baldridge, pai de Dillon Baldridge, ao Washington Post. “Eu não queria acreditar que ele estava a dizer aquilo, e eu desejei que estivesse a gravar porque o homem disse de facto aquilo. Ele disse: ‘Nenhum outro Presidente fez alguma coisa como esta’. Mas depois disse: ‘Eu vou fazer’”, relata ainda Baldridge, acrescentando que desde aí não obteve mais informações sobre a oferta do Presidente.

Num tweet partilhado nesta quarta-feira, o Presidente voltou ao assunto: “A congressista democrata fabricou totalmente o que eu disse à mulher do soldado que morreu em acção (e eu tenho provas). Triste”.

Uma fonte oficial da Casa Branca, citada pela BBC, explicou que as conversas entre Trump e as famílias de soldados mortos são privadas.

Esta polémica começou quando, na segunda-feira, um jornalista perguntou a Trump porque é que ainda não tinha falado com as famílias dos soldados mortos no Níger. O Presidente, esclarecendo que enviou cartas a todos os familiares, acusou também os seus antecessores, especialmente Barack Obama, não o fizeram. Ora, segundo têm recordado vários órgãos de comunicação social, esta alegação sobre Obama é falsa, sendo que foram várias as vezes que o antigo Presidente dos EUA se dirigiu pessoalmente para falar com os familiares de militares mortos em serviço.