A "afilhada" de Putin vai candidatar-se às presidenciais russas

A apresentadora de televisão Ksenia Sobchak anunciou que ia concorrer. Navalni diz que ela faz o jogo do Kremlin.

Sergei Karpukhin é filha do mentor político de Putin
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Sergei Karpukhin é filha do mentor político de Putin Sergei Karpukhin/REUTERS

Ksenia Sobchak, filha do mentor político de Vladimir Putin, e estrela de reality-tv, vai candidatar-se às eleições de Março de 2018, contra o Presidente. “Será uma caricatura de candidata”, afirmou Alexei Navalni, o líder da oposição que está impedido de concorrer contra Putin.

“O meu nome é Ksenia Sobchak, tenho 36 anos. E como qualquer outro cidadão da Rússia, tenho o direito de me candidatar à presidência. E decidi exercer esse dirreito”, afirmou a apresentadora num vídeo colocado online, citado pela Reuters.

Mas a filha do ex-presidente da câmara de São Petersburgo Anatoli Sobchak, um reformista democrata que influenciou Putin quando este trabalhou com ele, na década de 1990, não tem muita credibilidade política. Corre o rumor de que Putin é seu padrinho de baptismo. Tem criticado Putin algumas vezes e participou nos protestos em 2012 – mas este gesto é visto como um gesto útil ao Kremlin.

“Penso que mais do que candidatar-se, ela decidiu participar neste jogo nojento do Kremlin chamado ‘vamos arranjar um palhaço liberal para as eleições para distrair as atenções”, comentou Alexei Navalni, citado pelo Washington Post.

O Kremlin identificou Sobchak como o opositor ideal para concorrer contra Putin, noticiou o diário Vedomosti no mês passado, porque a novidade de uma mulher candidata às presidenciais seria o ideal para evitar o aborrecimento dos eleitores e combater a abstenção.

A candidatura do milionário Mikhail Prokhorov em 2012, que na altura era o terceiro homem mais rico da Rússia, teve o mesmo efeito nessas eleições – ganhou o voto de pessoas insatisfeitas com Putin, sobretudo em Moscovo. Mas acabou em terceiro lugar, apenas com 8%.

Espera-se que Vladimir Putin anuncie em breve a sua própria candidatura a um quarto mandato na presidência (não consecutivo, foi interrompido com um período como primeiro-ministro, alternando com Dmitri Medvedev), que o reconduzirá até 2024. A concretizar-se este plano, completará praticamente um quarto de século no poder – será o governante russo mais tempo no poder desde Estaline.