Cervejaria Solmar está em obras e reabre daqui “a dois ou três meses”

Empresária chinesa vai explorar o icónico restaurante da Baixa lisboeta e promete mantê-lo tal como até aqui. Não só em relação à arquitectura mas também à comida.

A nova dona diz que é “só pintar e limpar” e não estão previstas mais alterações
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A nova dona diz que é “só pintar e limpar” e não estão previstas mais alterações Rui Gaudêncio

A emblemática cervejaria Solmar, famosa não só pelos mariscos como pela exuberante decoração interior, está em obras e deve reabrir daqui “a dois ou três meses”. O restaurante da Rua das Portas de Santo Antão, na Baixa de Lisboa, será explorado por empresários chineses, que garantem querer manter a identidade portuguesa do espaço.

A Solmar vai continuar a ser uma marisqueira e cervejaria, disse ao PÚBLICO um cidadão chinês que se encontrava no local esta quarta-feira à tarde e que se apresentou como sobrinho da nova gerente, Jin Yun Hua. As obras começaram “há duas semanas” e devem estar concluídas dentro de “dois ou três meses”. Um operário português que por ali estava afirmou que os trabalhos visam “preservar o aspecto antigo” da cervejaria.

Jin Yun Hua, presidente da Associação Geral das Mulheres Chinesas em Portugal e que disse ao PÚBLICO ser a nova dona da Solmar, deu mesma garantia. Também  afirmou que o objectivo é “só pintar e limpar” e que não estão previstas mais alterações. “A casa é histórica, não podemos fazer nada”, acrescentou.

Apesar de ter perdido alguma relevância nos últimos anos, a Solmar continua a ser um ícone da restauração lisboeta, sobretudo por causa da sua arquitectura modernista, do enorme painel de azulejos criado por Pedro Jorge Pinto e do mobiliário desenhado especificamente para o espaço por José Espinho e produzido pelos Móveis Olaio. Na quarta-feira, as cadeiras e mesas estavam arredadas e empilhadas, dando espaço para os trabalhadores se movimentarem.

O carácter único da arquitectura e da decoração da cervejaria levou a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) a abrir um procedimento de classificação patrimonial em Fevereiro do ano passado, depois de o mesmo ter sido proposto por cidadãos em 2012. O procedimento ainda não terminou, mas a Solmar está já abrangida por um conjunto de regras. Entre outras coisas, a venda ou arrendamento do espaço têm de ser comunicados previamente às entidades, além de que estas têm de, obrigatoriamente, dar autorização para a realização de obras.

O PÚBLICO não conseguiu contactar António Pedro Paramés, herdeiro dos irmãos galegos que fundaram o restaurante nos anos 1950 e que até há pouco era sócio e gerente da Solmar. Também não foi possível perceber se os trabalhos em curso no interior foram autorizados e se estão a ser acompanhados pela tutela.

Tanto a empresária chinesa como o seu sobrinho garantem que sim, que “há licença” e que as obras em nada vão alterar a marisqueira. Até o grande reclame luminoso no exterior, uma das imagens de marca da Rua das Portas de Santo Antão, vai ser recuperado, afiançou o sobrinho.

A Solmar, cujos mariscos trazidos de propósito do mar do Guincho fizeram a fama da casa, fica no rés-do-chão de um palácio ocupado há mais de cem anos pelo Ateneu Comercial de Lisboa. Esta entidade, que teve uma profícua actividade cultural, recreativa e desportiva, está desde 2012 envolvida num complexo processo de insolvência. O espaço da cervejaria, no entanto, não pertence ao Ateneu.