Ana Margarida Carvalho vence Grande Prémio da APE

Não se Pode Morar nos Olhos de Um Gato repetiu o feito conseguido pelo romance de estreia da autora, Que Importa a Fúria da Mar.

Foto
Ana Margarida Carvalho dro daniel rocha

Não se Pode Morar nos Olhos de Um Gato (Teorema), de Ana Margarida Carvalho, venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), anunciou esta terça-feira a APE.

A romancista já vencera este prémio com o seu livro de estreia, Que Importa a Fúria da Mar, publicado em 2013, mas desta vez não foi uma vitória fácil. Com 93 livros a concurso, o júri, presidido por José Correia Tavares, e que integrou Isabel Cristina Rodrigues, José Carlos Seabra Pereira, Luís Mourão, Paula Mendes Coelho e Teresa Carvalho, reuniu-se quatro vezes até atribuir o prémio por maioria a Não se Pode Morar nos Olhos de Um Gato, com o ensaísta Luís Mourão a votar vencido em A Gorda (Caminho), de Isabela Figueiredo.

Desde que foi instituído em 1982, o prémio, que tem hoje uma dotação financeira de 15 mil euros, foi já atribuído a 29 autores, seis dos quais o receberam duas vezes, incluindo agora Ana Margarida Carvalho, que assim se junta a Vergílio Ferreira, Agustina Bessa-Luís, António Lobo Antunes, Maria Gabriela Llansol e Mário Cláudio. 

Não se Pode Morar nos Olhos de Um Gato está igualmente entre os dez finalistas do prémio brasileiro de literatura em língua portuguesa Oceanos, atribuído pelo instituto paulista Itaú Cultural, cuja short list, esta terça-feira anunciada, inclui mais três obras portuguesas: Karen (Relógio D’Água), da ficcionista Ana Teresa Pereira, e dois livros de poesia: Anunciações (D. Quixote), de Maria Teresa Horta, e Golpe de Teatro (Assírio & Alvim), de Helder Moura Pereira.

Filha do romancista Mário de Carvalho, Ana Margarida Carvalho licenciou-se em Direito e teve uma longa e premiada carreira jornalística antes de se dedicar à ficção. Em Não se Pode Morar nos Olhos de Um Gato, cuja acção decorre no final do século XIX, já depois da abolição da escravatura no Brasil, relata a sorte de um ecléctico grupo de pessoas que sobrevive ao naufrágio, ao largo da costa brasileira, de um navio negreiro clandestino.