A viagem de Bertrand Tavernier pelo cinema francês continua

O realizador prossegue o trabalho começado no documentário Uma Viagem Pelo Cinema Francês com Bertrand Tavernier com uma série de oito episódios com material completamente novo.

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Oito episódios mais temáticos, menos subjectivos

Em Agosto, saía em Portugal, tanto em VOD, DVD quanto em sala, Uma Viagem Pelo Cinema Francês com Bertrand Tavernier. Era um documentário sobre o cinema francês que viajava entre as décadas de 1930 a 1970, guiado pelos gostos, afectos, de Bertrand Tavernier, o ex-crítico e realizador de filmes como A Morte em Directo ou ‘Round Midnight. Já na altura, em entrevista ao Ípsilon, Tavernier falava dos planos de continuar o trabalho começado pelo documentário de três horas e 20 minutos com uma série de televisão de oito episódios, organizada de forma mais temática e menos subjectiva, a ir para o ar em Outubro. A única apresentação planeada para o grande ecrã acontece no 9º Festival Lumière, em Lyon – Tavernier é o director do Instituto Lumière, que o organiza –, no sábado, dia 21.

Em entrevista à revista norte-americana Variety, o realizador explica que não é uma expansão do material do filme, mas todo um conteúdo novo “com a mesma abordagem subjectiva” do documentário original. Como tal, há dois primeiros episódios sobre os realizadores favoritos de Tavernier, entre os quais se contam Max Ophüls, Henri Decoin, Sacha Guitry, Marcel Pagnol, Robert Bresson e Jacques Tati – alguns deles foram até mentores e amigos do cineasta. Há também episódios sobre o cinema francês durante e após a ocupação nazi, canções – como diz Tavernier, é a cinematografia francesa que tem o maior número de canções cujas letras foram escritas pelos realizadores dos filmes, dando como exemplo nomes como Jean Renoir, René Clair ou Julien Duvivier. Este último, outro dos favoritos de Tavernier, tem direito ao seu próprio episódio, bem como outros esquecidos, como Pierre Chenal. Outro tópico importante: as mulheres e o feminismo no cinema francês, com nomes também pouco lembrados como o de Jacqueline Audry, que falava sobre temas como a sexualidade feminina ou o lesbianismo quando ninguém o fazia. Os anos 1960 cinematográficos vividos pelo realizador também são abordados.

É um projecto de investigação que, conta o realizador na mesma entrevista, já levou a entre 30 a 40 filmes a serem restaurados, e que tenta mostrar o eclectismo do cinema francês tantas vezes esquecido - ou encoberto pela narrativa da nouvelle vague. A série está neste momento a passar, até Fevereiro de 2018, com pausas pelo meio, no canal francês Cine+Classic, e sairá em DVD no final deste ano, numa caixa que a junta ao documentário original.