Leiria celebra a entrada do plástico nas nossas vidas

O museu da cidade pretende contar a história dos seus habitantes através de um dos mais antigos materias sintéticos: o plástico

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se algum leiriense tiver um telefone antigo pode partilhá-lo com o museu Rita Baleia

Desde 1930 que a economia do concelho de Leiria depende de indústrias como a de moldes e transformação de plásticos e por isso, o Museu de Leiria lançou um apelo à população, convidando-a a ajudar na construção de uma nova exposição.

“Os vossos plásticos podem ser importantes!  Partilhe connosco e com Leiria os brinquedos de infância, sua, dos pais e avós, os artefactos do vosso quotidiano, os objectos de devoção, rádios, telefones, talheres, caixas, móveis, sapatos, candeeiros, chávenas...” lê-se no comunicado lançado pelo Museu.

O pedido peculiar tem como objectivo final a construção de uma exposição sobre a História dos Plásticos, alicerçando-se na história da ciência e da tecnologia e de cultura material. Segundo uma fonte oficial do Museu de Leiria, a construção da exposição pretende realçar a necessidade de preservar os objectos de plástico, bem como a importância do plástico na evolução do design industrial, na estratégia das empresas e na vida quotidiana.

O material chegado a Portugal em 1930, pela forma de baquelite, é normalmente considerado pelo público como pouco dispendioso e de fácil acesso o que, adicionalmente a ser um polímero sintético construído pelo homem, o leva a ser subestimado na comunidade científica.

Foi isto que motivou o projecto “O Triunfo da Baquelite: Contributos para uma História dos Plásticos em Portugal”, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) a juntar-se ao Museu, numa tentativa de obter materiais para uma investigação completa e com algum retorno cultural para a população. O projecto está a ser desenvolvido numa parceria entre cidades, já que o mesmo é albergado pelo Centro Interuniversitário de História das Ciência e Tecnologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, (CIUHCT/FCUL).

Esta investigação tem como ponto de partida a Baquelite Liz, empresa sediada na região de Leiria desde 1940 e por isso prevê que a cidade seja um excelente recipiente desta iniciativa.

Com vista a reflectir sobre a relação dos homens com o material, o Museu de Leiria invoca o espírito inovador de cada um dos seus habitantes pedindo o seu contributo na construção da história da região por meio de objectos perdidos “nos caixotes guardados na cave, nos armários fechados há décadas e nas caixas esquecidas no sótão e cobertas de pó”.

São pedidas fotografias das peças, uma breve descrição e história das mesmas, para o endereço do Museu de Leiria ([email protected]) para que posteriormente seja analisado o interesse das mesmas e se formalize um pedido ou depósito temporário para a doação.

A recolha deve terminar no último trimestre de 2018 para que a exposição abra no primeiro trimestre de 2019.