Pão que compramos vai ter cada vez menos sal

Assinado acordo entre Governo e panificadores. No final de 2021, pão terá apenas um grama de sal por cada 100 gramas. Broa de Avintes e Pão de Mafra também vão ter que medir e reduzir teor de sal

Margarida Basto
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Margarida Basto

O pão que os portugueses compram vai passar a ter cada vez menos sal. A redução vai ser faseada, acontecerá ano a ano, e resulta de um acordo com as várias associações do sector da panificação — que voluntariamente vão passam a adicionar menos sal ao pão. No final de 2021, o teor de sal não deverá ser superior a 1 grama por 100 gramas de pão, quando actualmente pode ir até 1,4 gramas. 

No final do próximo ano, o pão passará a ter 1,3 gramas de sal (por 100 gramas) e assim sucessivamente até chegar ao final de 2021 com apenas um grama, estipula o protocolo a que o PÚBLICO teve acesso e que esta segunda-feira a Direcção-Geral da Saúde assina em Lisboa com  três associações: as dos industriais da panificação, pastelaria e similares de Lisboa e do Norte e a do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares.

Os industriais do sector comprometem-se ainda a reduzir os teores de ácidos gordos trans dos produtos, não só da panificação mas também da pastelaria - para valores inferiores a 2 gramas por 100 gramas de gordura ou a 0,5 gramas na dose de produto consumida -, até 31 de Dezembro de 2019.

No caso do sal no pão, os industriais de panificação acordaram fazer a redução de uma forma voluntária e gradual. Quando, em 2009, foi anunciada a lei que impôs limites ao teor de sal (um máximo de 1,4 gramas)  e se instituiram coimas até cinco mil euros, de fora apenas ficaram os pães tradicionais.

Agora, a este esforço de redução do sal não escapam  sequer os pães reconhecidos como produtos tradicionais ou com nomes protegidos, como por exemplo a broa de Avintes ou o pão de Mafra - até ao final do próximo ano, serão monitorizados os teores médios de sal e será definido um plano para a sua diminuição faseada, refere o protocolo.

Sete anos após a lei pioneira que impôs um teor máximo de sal no pão, a meta a atingir, em termos globais (porque se pretende chegar a outros produtos que contribuem para uma elevada ingestão de sal, como a sopa), é a de diminuição de entre 3 a 4% de consumo de sal ao ano, ao longo dos próximos anos.

O que se pretende é que os portugueses ingiram o máximo de sal preconizado pela Organização Mundial de Saúde – 5 gramas por dia (segundo o último Inquérito Alimentar Nacional (2016-2017), ainda consumimos 7,3 gramas).

Este acordo com os panificadores aparece ao mesmo tempo que avança um imposto sobre o sal em alguns produtos. Segundo a proposta de Orçamento do Estado de 2018,  este imposto abrangerá produtos como as batatas fritas, bolachas e cereais de pequeno-almoço que serão taxados sempre que tiverem mais de um grama de sal por 100 gramas de produto final, uma forma de fazer com que os produtores diminuam os teores de sal nos produtos para fugirem ao imposto.

Segundo dados da Direcção-Geral da Saúde, mais de 33% da ingestão de sal (sódio) pelos portugueses deve-se ao consumo de sopa de legumes, seguindo-se o leite, o queijo e o iogurte. O pão contribui apenas com 6,4%.

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