As quatro mensagens-chave de Pedro Santana Lopes

Num anúncio-surpresa na SIC – onde tem um espaço de comentário – Santana Lopes assumi que é candidato à liderança do PSD e explicou “ao que vem”. Deixou algumas mensagens em jeito de crítica, de apelo ou de posicionamento político. O PÚBLICO detalha quatro mensagens-chave do ex-primeiro-ministro

Descodificando Santana
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Descodificando Santana Daniel Rocha

O senhor ‘estou de acordo’

Logo na frase em que assumiu que está na corrida, Pedro Santana Lopes associou a sua candidatura a uma vitória: a de Portugal no jogo de futebol contra a Suíça. “Portugal ganhou e sou candidato à liderança do PPD/PSD”, disse. Depois, nas respostas à jornalista Clara de Sousa, desfez algumas ideias feitas sobre o espírito da sua candidatura: Não é uma candidatura para velhos nem para destruir a herança de Passos Coelho, nem é azeda. “Não vão passar a vida a ver-me zangado, vão ver-me muitas vezes dizer ‘estou de acordo’.” O ex-primeiro-ministro também quis dar a imagem de que não é o mesmo homem que assumiu o governo, em 2002, por herança de Durão Barroso e que saiu a mal com o então Presidente da República, Jorge Sampaio. “Não é um ajuste de contas”, garantiu, referindo que tem contactos com Jorge Sampaio a propósito de uma outra questão. Santana recusa também ser um líder de transição: “Isso foi da outra vez, passaram 15 anos, tirei muitas lições”.

O senador e os jovens

Aos 61 anos – idade que, como sublinhou, é afinal próxima da de vários líderes europeus – trabalha e “gosta” de trabalhar com jovens. E é ao coração da geração dos 30/40 – aquela que viria atrás do ex-líder da distrital Miguel Pinto Luz caso viesse a ser candidato à liderança – que Santana Lopes quer apelar. Com um jovem líder parlamentar recém-eleito (Hugo Soares), Santana Lopes optou por destacar outros dois nomes na bancada ‘laranja’ que gostava de ver na fila da frente, por sinal de alas distintas dentro do partido: Miguel Morgado, que foi adjunto do ex-primeiro-ministro Passos Coelho, e Duarte Marques, ex-líder da JSD que apoiou Paulo Rangel e Manuela Ferreira Leite. É com uma “equipa de luxo, de gente nova” que se quer apresentar para trazer de volta o “PPD/PSD”, a sigla que usa sempre quando se refere ao partido.    

A herança de Passos e o deita abaixo

O ex-primeiro-ministro Pedro tratou de salvarguardar o outro ex-primeiro-ministro Pedro, o que lidou com a troika. Em certa medida, Santana Lopes apresentou como argumento para avançar a necessidade de defender a herança de Passos Coelho, co contrário dos que preferiram atacá-la. Não disse o nome, mas o recado era para Rui Rio: “Não me parece bem que o partido possa ser entregue a quem, numa altura tão difícil para o país, passou a vida a pôr em causa esse trabalho de salvação nacional (…) a quem deita abaixo.” Os críticos de Rui Rio têm apontado, em surdina, o apoio que deu a Rui Moreira, em 2013, na corrida à câmara municipal do Porto e contra o candidato do PSD, Luís Filipe Menezes. Nessa altura, faziam sentir-se as medidas difíceis da troika e a popularidade do governo PSD/CDS estava em baixo. Os resultados autárquicos do PSD foram maus. Moreira ganhou e agora, já sem Rio, renovou a vitória.

Responde a perguntas e recusa Bloco Central

Com algumas farpas dirigidas a Rui Rio, Santana Lopes também deixou uma mensagem de paz. Não se vê como “inimigo” do agora adversário na corrida à liderança do partido. Mas deixou distinções à vista. Na apresentação da candidatura – que será na próxima semana – "fará só uma declaração, como Rio anunciou que faria ou responde a perguntas dos jornalistas?", questionou a jornalista da SIC. “Podem fazer as perguntas que quiserem”, disse. E logo de seguida respondeu a uma mini-entrevista no espaço de comentário habitual com António Vitorino. A diferença não é só de estilo, como veio a vincar. Assumiu não ter “propensão para o Bloco Central” – entendimento entre PS e PSD que muitos lêem no discurso de Rui Rio – mas admitiu “pactos de regime” em áreas como as grandes Obras Públicas, precisamente a questão que o primeiro-ministro tinha desafiado o PSD a reflectir. 

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