Augusto Santos Silva diz que “era essencial” acusação da Operação Marquês “no lugar próprio”

Ministro, que também integrou os dois governos e é amigo de José Sócrates, aguarda “com serenidade” o texto da acusação e a defesa.

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Miguel Manso

Nem na comunicação social nem através de fugas de informação; a acusação a José Sócrates foi feita onde deveria - unicamente através dos canais da Justiça, considerou esta quarta-feira o amigo e antigo ministro dos governos de José Sócrates, Augusto Santos Silva.

O também actual ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou hoje ver "com muita tranquilidade" a acusação do antigo primeiro-ministro José Sócrates, considerando que "era essencial" que esta decorresse "no lugar próprio", como acontece "num Estado de direito".

Questionado pelos jornalistas sobre a acusação a José Sócrates, no âmbito da Operação Marquês, num total de 31 crimes, o ministro disse ver "com muita tranquilidade".

"O que era essencial era que a acusação se fizesse no lugar próprio e através dos órgãos próprios, não nos jornais, nas televisões ou nas rádios, não através de fugas de informação, mas que se conhecesse qual é a acusação, os factos em que se fundamenta para também conhecermos qual é a defesa e depois o tribunal julgará. É assim que acontece num Estado de direito", afirmou, falando à margem da visita dos reis holandeses à Universidade de Lisboa, durante uma visita oficial de três dias a Portugal.

Santos Silva, que foi ministro da Defesa e dos Assuntos Parlamentares nos dois governos liderados por José Sócrates, disse ainda que, "como amigo" do antigo primeiro-ministro, aguarda "com toda a serenidade, quer o texto da acusação", que disse ainda desconhecer, "quer a defesa, porque é isso que faz funcionar o Estado de direito: que as pessoas sejam acusadas nos lugares próprios e que se possam defender".

Questionado se a acusação foi demorada, Santos Silva apenas respondeu: "Como ministro dos Negócios Estrangeiros, não tenho mais nada a dizer".

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