Remodelação profunda no governo regional

A dois anos do fim do mandato, Miguel Albuquerque faz uma reforma profunda no executivo e chama para vice-presidente um antigo número dois, dos tempos de autarca.

Esta foi a terceira remodelação no governo de Miguel Albuquerque. E a mais profunda
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Esta foi a terceira remodelação no governo de Miguel Albuquerque. E a mais profunda DANIEL ROCHA

Saem três, entram três. O presidente do governo regional da Madeira, Miguel Albuquerque, confirmou esta quarta-feira à tarde a remodelação do executivo, a terceira desde que tomou posse em Abril de 2015 e a mais profunda.

São mudanças esperadas, conforme o PÚBLICO avançou esta semana, cujo principal destaque é a entrada de Pedro Calado, para o lugar de vice-presidente do governo, cargo até agora inexistente na orgânica do executivo. Calado, que foi número dois de Albuquerque na Câmara do Funchal, vai assumir as pastas das Finanças, Economia, Transportes e ainda a coordenação política do governo.

É uma super-secretaria criada para este gestor. Em 2015, quando Albuquerque estava a compor o primeiro governo madeirense pós-Jardim, Calado foi dado como certo para este mesmo lugar, mas acabou por manter-se no sector privado, como administrador da AFA, um grupo empresarial com interesses na construção e no turismo.

Se nas anteriores mexidas no elenco governativo Albuquerque apenas tocou na pasta da Saúde, agora a reestruturação é profunda. De uma assentada, mudam de mãos áreas sensíveis como as Finanças, Economia, Obras Públicas, Transportes, Turismo e coordenação política.

As Obras Públicas ficam sob a responsabilidade de Amílcar Gonçalves, até agora director regional do Equipamento Social, que foi promovido a secretário regional das Infra-estruturas e Equipamentos. Já o Turismo e a Cultura vão ser tutelados por Paula Cabaço, antiga presidente do Instituto do Vinho e do Bordado da Madeira, que fica também com a pasta dos Assuntos Europeus.

De saída, estão Rui Gonçalves, o homem das Finanças, que pediu para sair do governo logo após as autárquicas, Sérgio Marques (Assuntos Europeus e Obras Publicas) e Eduardo Jesus (Economia, Turismo e Cultura).

Os três secretários regionais de saída nunca foram consensuais no executivo e foram os que mais sofreram com a erosão dos primeiros dois anos de mandato. Gonçalves, que foi director regional das Finanças do último governo de Alberto João Jardim, teve sempre a imagem colada à austeridade e à inflexibilidade que impunha em alguns departamentos do executivo, como a Saúde, o que não lhe granjeava especial popularidade.

Sérgio Marques, com as obras públicas, foi o rosto das polémicas intervenções que estão a ser feitas nas ribeiras que atravessam o Funchal, que têm sido muito contestadas por colocarem em causa o património edificado da cidade. Também Eduardo Jesus tem estado debaixo de fogo. Responsável pelos transportes, o agora ex-secretário nunca conseguiu convencer a população das vantagens do subsídio social de mobilidade, assinado com Lisboa, e que acabaram por resultar numa subida substancial do valor das passagens áreas entre o Funchal e o continente.