Santana avança pela terceira vez: "Sou candidato à liderança do PSD"

Depois de duas tentativas em que não conseguiu ser eleito, Pedro Santana Lopes entra na corrida à liderança

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Mario Lopes Pereira

"É um dia de boas notícias. Portugal ganhou e eu sou candidato à liderança do PSD". Pedro Santana Lopes esperou pelo seu comentário semanal na SIC Notícias, nesta terça-feira à noite, para anunciar que entra na corrida, com Rui Rio, pela presidência do partido que já liderou, quando substituiu (também) Durão Barroso na chefia do Governo, em 2004. 

"Sinto que é aquilo que devo fazer", assegurou o agora candidato de quem, avisou, só se deve esperar um anúncio formal na próxima semana. “Conto fazer a apresentação na semana que vem”, disse, revelando que é adepto da intergeracionalidade e que terá muita gente jovem à sua volta. O candidato, de 61 anos, só avançou depois de receber "luz verde" da família e de se ter despedido, por carta, dos funcionários da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Esta é a terceira vez que Pedro Santana Lopes tenta a sua sorte no PSD (2000, 2008 e 2018). As eleições directas a que se submeterá estão marcadas para 13 de Janeiro.

Santana Lopes justificou o motivo da sua decisão com o “dever de avançar” e numa frase curta definiu a sua missão: “Ganhar o partido, unir o partido e ganhar as legislativas, com Europeias pelo meio.”

Questionado sobre a razão que o levou a recusar ser candidato à câmara municipal de Lisboa, o Provedor da Santa Casa disse que “não fazia sentido” deixar a Santa Casa na capital para ser presidente da câmara de Lisboa: “Aqui está em causa o país”.

Assumindo que este é um ciclo “difícil”, Santana Lopes disse sentir-se confortável com isso e recusou a ideia de ser um líder de transição. “Isso foi da outra vez, passaram 15 anos, tirei muitas lições”, afirmou. Rebateu ainda o argumento da idade – já tem 61 anos – com as idades de vários líderes europeus e levantou o véu sobre a natureza da sua candidatura. “Não é para defender nenhuma herança”, disse, numa alusão a Passos Coelho, deixando recados para Rui Rio. “Não me parece que o partido seja entregue a alguém que num momento tão difícil tenha tentado destruir” o partido, afirmou, dizendo depois ter “consideração por Rui Rio” e que não vai ser seu “inimigo”.  

Questionado sobre o que o diferencia do antigo presidente da câmara do Porto, Santana Lopes foi direito a uma das ideias associadas a Rio. “Não tenho propensão para fazer acordo de bloco central”, disse, admitindo que a sua preferência e até o seu motivo de candidatura é “fazer pactos de regime”. Na lista de motivações está o combate ao PS e ao Governo: “E se António Costa não levar a mal para lhe ganhar as eleições”.

O alento está, em parte, no projecto de fazer voltar o “PPD/PSD”. Santana Lopes disse ter sido abordado por pessoas que lhe pediram para “trazer outra vez o PPD/PSD”, a designação que usa sempre que se refere ao partido. E assume que trará uma atitude mais positiva em contraste com a que era actualmente criticada de Passos Coelho: “Se eu for eleito líder não vão passar a vida a ver me zangado, mas vai ser combate à séria”.

Relativamente às questões que considera serem uma prioridade para fazer acordos com o Governo, Santana Lopes nomeou precisamente aquela que António Costa tinha pedido um entendimento com o PSD – obras públicas. Mas também referiu justiça, saúde e segurança social, embora nesta última admita a existência de maiores divergências ideológicas.

Ainda sobre a renovação geracional, o ex-primeiro-ministro disse gostar de ver “na bancada da frente” nomes  como Miguel Morgado e Duarte Marques. E não disse uma palavra sobre o actual líder parlamentar, Hugo Soares, com 34 anos.  

Santana revelou que transmitiu ao líder do partido que preferia a data das directas em Janeiro,  tal como foi aprovado no Conselho Nacional de segunda-feira e contra a vontade dos apoiantes de Rui Rio. A candidatura do ex-autarca do Porto preferia a data de 9 de Novembro (foi chumbada por uma esmagadora maioria de conselheiros), mas Santana Lopes justificou a recusa por considerar que era um dia entre um feriado (dia 8) e um fim-de-semana. "Assim há tempo para o debate, há tempo para ir ter com os militantes do PPD/PSD”, argumentou. 

Esta terça-feira, pela hora do almoço, a SIC Notícias já havia avançado com uma declaração lida em que o antigo autarca de Lisboa confirmava que já tinha tomado uma decisão. "Quando tiver cumprido os meus deveres institucionais, com o governo e com o meu partido, farei a confirmação do sentido da minha decisão. Não pedi licença a ninguém para tomar a decisão que está tomada. Não estou condicionado por mais nada, nem por ninguém."