Trump envia proposta ao Congresso para trocar o muro pela protecção aos dreamers

Democratas rejeitaram o documento que, dizem, apresenta propostas "para além do razoável".

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EPA/SHAWN THEW

A Casa Branca entregou ao Congresso um pacote de medidas que deverão guiar o acordo que permitirá a construção de um muro ao longo da fronteira com o México, condição imposta por Donald Trump para recuperar o programa DACA (“Deferred Action for Childhood Arrivals”), que protege de deportação cerca de 800 mil pessoas que chegaram aos EUA ilegalemnte quando eram menores  — os “dreamers” (sonhadores, em português).

O Presidente dos EUA, que usou a construção de um muro na fronteira com o México, pago pelos mexicanos, como uma das bandeiras da sua campanha eleitoral procura financiamento do Congresso. A moeda de troca é o programa DACA, criado em 2012 pela Administração Obama e que Trump suspendeu no mês passado.

O documento a que a Reuters teve acesso pretende, para além do financiamento do muro com o México, que sejam contratados mais dez mil funcionários para o departamento de Imigração. A lista de exigências inclui mais 370 juízes e 300 procuradores, a proibição de os imigrantes trazerem os seus familiares para os EUA e a obrigação de as empresas recorrerem ao programa do governo E-verify para impedir a contratação de imigrantes sem documentos.

"Estas prioridades são essenciais para mitigar as consequências económicas e legais de atribuir qualquer estatuto [legal] aos beneficiários do DACA", declarou Marc Short, director de assuntos legislativos da Casa Branca.

A lista de exigências de Trump foi  rejeitada pelos democratas no Congresso. “Dissemos ao Presidente que estávamos disponíveis para um compromisso com medidas razoáveis em relação à segurança nas fronteiras, mas esta lista vai para além do razoável", disseram o líder do Partido Democrata no Senado, Chuck Schumer, e a líder do partido na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, citados pelos jornais norte-americanos. "Esta proposta é uma tentativa falhada de compromisso”

"A Administração não pode falar seriamente em compromissos ou em ajudar os dreamers quando a sua lista é o anátema dos sonhadores, da comunidade de imigrantes e da vasta maioria dos americanos", reagiram. “A lista inclui o muro, que foi explicitamente excluída das negociações. Se o Presidente quer realmente proteger os dreamers, a sua equipa não agiu de boa-fé para o concretizar”, disseram os líderes, referindo-se ao anterior compromisso de Trump, que havia excluído a discussão do muro das negociações sobre o programa que irá substituir o DACA.

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