Só a noite pode ajudar a controlar incêndio em Pampilhosa da Serra

Chamas de grande intensidade continuam a lavrar desde a noite de sexta-feira. Há mais de 600 operacionais no terreno.

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LUSA/PAULO NOVAIS

A noite é o aliado pelo qual esperam bombeiros e responsáveis da Protecção Civil para ajudar a controlar o incêndio que, desde a noite de sexta-feira, lavra nos concelhos de Pampilhosa da Serra e Arganil, na região Centro. As chamas continuam a progredir com intensidade, dificultando o trabalho dos mais de 600 operacionais que foram chamados para este combate. Há mais cinco fogos activos no país neste domingo.

Em Pampilhosa da Serra “ainda não há boas notícias”, admite o comandante de serviço da Protecção Civil, Miguel Oliveira ao PÚBLICO. O fogo tem tido uma “progressão muito elevada”, ajudado pelo vento, as fortes temperaturas e a secura do terreno – devido à pouca chuva que caiu ao longo de todo o ano. Os responsáveis esperam, por isso, que a noite traga “alguma humidade” que permita “acalmar o avanço das chamas”, afirma o mesmo responsável.

“Não há grande capacidade de fazer previsões sobre a evolução deste incêndio”, reforça Miguel Oliveira. O fogo de Pampilhosa da Serra chegou a ter seis frentes activas, mas o trabalho dos bombeiros e da Protecção Civil permitiu controlar duas dessas frentes durante a tarde deste domingo.

Neste momento permanecem activas quatro frentes de incêndio “bastante extensas”, segundo o responsável da Protecção Civil contactado pelo PÚBLICO. Estão no local 613 operacionais, entre bombeiros, elementos da GNR e do Exército. Foram activadas equipas de reforço de Beja, Évora, Lisboa, Setúbal e Vila Real para acudirem a este fogo no distrito de Viseu.

As chamas começaram cerca das 23h de sexta-feira no concelho de Pampilhosa da Serra, avançando rapidamente e entrando no concelho de Arganil. O fogo já levou à evacuação de diversas aldeias, bem como ao corte de estradas. Neste momento, o trânsito permanece impedido na EN 344, entre Castanheira e Cepos, e na EM 508, entre Paroselos e Selada de Eiras.

Os fogos deste fim-de-semana têm sido “bastante violentos”, defende Miguel Oliveira. As “temperaturas bastante elevadas que se fazem sentir” – na casa dos 30 graus nas regiões Norte e Centro do país – conjugadas com “dias consecutivos sem chuva” neste início de Outono “têm complicado" a situação, avalia o comandante de serviço da Protecção Civil.

Além do incêndio de Pampilhosa da Serra, há outros dois a inspirar preocupações. Em Vila Nova de Paiva, as chamas começaram no sábado, por volta das 15h30, e têm neste momento três frentes activas, em zonas de difícil acesso, nas margens do rio Paiva. Estão no local 118 operacionais e dois aviões de combate.

O outro fogo acontece em Alvaiázere, no distrito de Leiria, onde as principais dificuldades têm a ver com a extensão das frentes de combate. A ignição também aconteceu na tarde de sábado, na freguesia de Almoster. Neste momento, há 201 bombeiros e outros operacionais a tentar controlar as chamas.

O último balanço no site da Autoridade Nacional da Protecção Civil foi feito às 17h57 deste domingo e dá conta da existência de seis fogos activos no Centro e Norte do país. Apenas as ocorrências de Mortágua, no distrito de Viseu, e Terras de Bouro, no distrito de Braga, estão controladas. Ao todo, estão mobilizados para o combate aos incêndios nesta tarde de domingo 1355 operacionais, 456 viaturas terrestres e seis dispositivos aéreos de combate a incêndios.