Setenta mil cubanos lembraram “Che” Guevara, que morreu há meio século

Dezenas de milhares de pessoas concentraram-se neste domingo na cidade cubana de Santa Clara em tributo ao guerrilheiro argentino, sendo esta a primeira cerimónia em que não está presente Fidel Castro.

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A imagem de Ernesto ''Che'' Guevara é omnipresente em Cuba LUSA/ALEJANDRO ERNESTO
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Presidente cubano Raúl Castro cumprimenta cidadãos cubanos por altura da sessão que assinalou os 50 anos da morte de "Che" Guevara LUSA/ALEJANDRO ERNESTO
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Centenas de pessoas erguem imagens alusivas ao guerrilheiro revolucionário LUSA/ALEJANDRO ERNESTO
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O vice-presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel, intervém durante a sessão, que decorreu em Santa Clara Reuters/STRINGER
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Imagens do ex-Presidente cubano Fidel Castro e do herói revolucionário Ernesto "Che" Guevara na cerimónia de Santa Clara Reuters/STRINGER
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Imagem do homenageado numa parede, horas antes da cerimónia LUSA/ALEJANDRO ERNESTO
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Santa Clara, Cuba LUSA/ALEJANDRO ERNESTO

Cerca de 70 mil cubanos de diversas gerações prestaram homenagem neste domingo ao guerrilheiro argentino Ernesto “Che” Guevara, executado há 50 anos na selva boliviana.

No complexo de Santa Clara onde, desde 1997, repousam os restos do comandante da Revolução e dos seus companheiros de armas, dezenas de milhares de pessoas concentraram-se desde o início da manhã para um tributo em redor do Presidente Raúl Castro, que envergava o seu uniforme de general.

Esta cidade, situada 300 quilómetros a leste da capital cubana, considera-o como um filho adoptivo, desde que garantiu em Dezembro de 1958 uma vitória decisiva contra as tropas do ditador Fulgencio Batista, no poder entre 1952 e 1958.

Num sinal que confirma uma mudança de época, estas cerimónias são celebradas pela primeira vez na ausência de Fidel Castro, que morreu em finais de 2016, mas excertos dos seus discursos dedicados a “Che” foram difundidos no início da homenagem.

Estas celebrações também surgem num momento onde as últimas guerrilhas de esquerda do continente americano, na Colômbia, entregam as suas armas após um acordo global com o governo (as FARC), ou negoceiam a paz (ELN, fundado em 1964 inspirando-se precisamente em “Che”).

Ernesto Guevara foi executado aos 39 anos por um militar boliviano a 9 de Outubro de 1967, mas em Cuba o dia do “guerrilheiro heróico” é celebrado a 8 de Outubro, o dia da sua captura numa isolada região andina da Bolívia.

Na segunda-feira vão ser organizadas as comemorações na Bolívia na presença dos filhos de “Che” e do Presidente Evo Morales, que esta semana acusou a CIA de ter “perseguido, torturado e assassinado” “Che” durante os seus 11 meses de guerrilha na selva boliviana.

O corpo do médico e guerrilheiro argentino, arremessado para uma fossa na Bolívia, foi descoberto e identificado há 20 anos, antes de regressar com grande pompa a Cuba para uma homenagem fúnebre nacional.

Desde 1997 cerca de cinco milhões de pessoas já visitaram em Santa Clara o mausoléu de “Che”, situado no subsolo e enquadrado por uma imponente estátua de bronze, com baixos-relevos e frases de “El Comandante” e ex-ministro do governo cubano, em particular a carta que dirigiu a Fidel anunciado a intenção de prosseguir a actividade guerrilheira para, como dizia, “criar um, dois, muitos Vietnames”.

Num discurso feito este domingo durante a cerimónia de homenagem, o vice-presidente cubano Miguel Diaz-Canel – dado como sucessor ao cargo da Presidência do país depois da saída de Raúl Castro no início do próximo ano – aproveitou para garantir que Cuba não se sujeitará a mudanças no sistema político e económico propostas pelos Estados Unidos que, na voz do Presidente Trump, admitiram agravar as sanções contra Cuba até que fosse restaurada a democracia.

“Cuba não fará concessões à sua soberania e independência, nem negociará os seus princípios ou aceitará a imposição dessas condições”, declarou Diaz-Canel. “As mudanças necessárias em Cuba serão feitas unicamente pelo povo cubano”, acrescentou.