Depois da prata, a Topázio aposta no latão

Após 143 anos de história, a marca portuguesa resolve apostar num novo mercado: o latão. E abre uma loja online.

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O lançamento, pela primeira vez, em 143 anos de história da Topázio, de produtos decorativos em latão, a criação de uma loja online e a abertura, a médio e longo prazo, de um ponto de venda no centro do Porto são as grandes novidades da marca, com sede em Gondomar, para este Outono.

As novidades foram dadas a conhecer durante uma visita à fábrica. Esta tem uma área de oito mil metros quadrados e capacidade para produzir cerca de 30 mil peças por ano. À entrada há um móvel antigo, alto, com gavetas de cima abaixo. Nele estão guardados desenhos técnicos a partir dos quais os antigos artesões faziam as peças. O desenho mais antigo data de 1948 e é de um jarrão que se tornou icónico para a marca. Neste arquivo há muitos esboços “históricos” que contam a história da fábrica fundada por Manuel Ferreira Marques. O empresário começou por fabricar peças pequenas em ouro para depois se lançar no mercado da prata. Actualmente, a marca exporta 30% da sua produção, só da área de decoração, para França, Marrocos e Angola. Tornou-se uma marca premium de objectos de prata e banho de prata com mais de 70 mil referências.

É na fábrica que são produzidas as novas linhas, como a grande aposta deste ano – a colecção de artigos de mesa e decoração em latão, a Citrino. O nome surge inspirado na pedra semi-preciosa. Porquê apostar no latão? “É a tendência do mercado. Já trabalhamos há muito este metal, a que depois damos um banho de prata. Resolvemos aproveitar o know how interno”, explica Carla Sá, directora de marketing.

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"Boshi", uma das colecções feitas em latão DR

E enquanto se observa um trabalhador a colocar metal numa máquina para o estampar, Carla Sá vai dizendo que já foram alocados 100 mil euros ao projecto Citrino: “Tem tido boa aceitação desde que, recentemente foi lançado no evento Decorex, em Londres. O que originou uma aposta na produção de toda a colecção de peças para satisfazer as encomendas e stocks mínimos.”

A directora de marketing acrescenta que em 2016 a empresa facturou 3,3 milhões de euros e prevê atingir os quatro milhões até ao final deste ano. Ao todo a Topázio tem 110 funcionários distribuídos pela produção, escritórios e nas lojas, em Lisboa e em Gondomar, à entrada da fábrica. É aqui mesmo que se observa um outro trabalhador a estampar talheres de prata, um a um, num minucioso trabalho manual. Em frente está a primeira máquina que a Topázio adquiriu, nos anos 1960, para desenvolver as peças de maior dimensão. “É a máquina mais antiga”, informa Carla Sá. Existe ainda uma biblioteca de moldes com mais de cem mil cunhos de estampagem. Há ainda uma sala de prateação onde se dão os banhos de prata às peças e uma porta entreaberta mostra uma pequena estação de tratamento de água, no exterior, que, por dia, purifica, 200 a 400 litros de água, diz Ana Rita Pinto, do departamento de marketing.

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Folha de Bananeira DR

No showroom convivem as peças antigas com as novas. Das mais recentes, destaque para a Folha de Bananeira (4800 euros) – são precisas 50 horas de trabalho de cinzelagem para fazer este centro de mesa, a marca quer lançar uma folha diferente por ano. “É a peça que mais tempo demora a fazer”, revela Nino Gabriel, um dos designers. Da colecção Citrino, continua, também há um aplique de parede, com 80 centímetros de diâmetro (2523 euros), que demora 42 horas a elaborar. “É o saber fazer a nível manual que nos distingue das restantes marcas no mercado”, sublinha Carla Sá.

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Jarrão criado por Joana Vasconcelos DR

A designer Anabela Dias fala da colecção inspirada nos chapéus dos agricultores dos arrozais orientais, denominada Boshi. Ou do jarrão Vesuvius, inspirado no vulcão italiano, para o qual são necessárias cerca de 28 horas de trabalho manual. E lembra-se do Tetris? Há uma colecção inspirada neste jogo electrónico, constituída por oito centros de mesa.

No showroom da fábrica está ainda exposto um centro de mesa em prata reciclada, desenhado por Siza Vieira, e uma reinterpretação de Joana Vasconcelos do jarrão icónico da Topázio. A peça mais cara é uma terrina de prata que ronda os cem mil euros. 

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