Movimento quer recolher carrinhos no início do cortejo da Latada

Número de carros de compras recuperados tem vindo a aumentar. Objectivo é prevenir o furto nas próximas festas académicas.

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O movimento ambientalista Não Lixes quer evitar a utilização dos carrinhos de compras no cortejo da Latada de Coimbra, que decorre no próximo domingo. Se nos últimos anos, o movimento promoveu um cordão no largo da Portagem (onde acaba o cortejo, na Baixa da cidade) para evitar que os carrinhos fossem parar ao rio Mondego, este ano a ideia passa por instalar também um grupo de recolha na rotunda do Papa, perto da Alta, pouco depois do início do evento.  
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Este local marca o sítio de convergência entre os estudantes da universidade, que descem do largo D. Dinis, e os do politécnico, que vêm da alameda dr. Júlio Henriques. Nos dois pontos do cortejo estarão equipas de cerca de 15 pessoas constituídas por voluntários do movimento, agentes da PSP e funcionários dos hipermercados. <_o3a_p>

Em conversa com o PÚBLICO, o fundador do Não Lixes, Fernando Jorge Paiva, refere que esta é “uma atitude nova, criativa e até radical” e reconhece que “vai haver resistência”.<_o3a_p>

Todos os anos, centenas de carrinhos são furtadas de superfícies comerciais de Coimbra para serem utilizados no transporte de bebidas alcoólicas no corteja da Latada, a festa estudantil do início de ano. O fenómeno também se verifica, mas em menor escala, na Queima das Fitas. <_o3a_p>

“Não podendo utilizar os carrinhos no resto do cortejo”, o objectivo principal desta medida é fazer com que “os estudantes fiquem com a ideia de que não vale a pena furtar”, refere o ambientalista. Para acautelar eventuais desentendimentos no momento de recolha, Fernando Jorge Paiva diz estar a fazer um trabalho de divulgação, “para que eles não sejam apanhados desprevenidos”.  <_o3a_p>

Os números de carrinhos recolhidos no final do cortejo da Latada têm vindo a subir nos últimos anos. Em 2013, o primeiro ano, foram reunidos 214 carros de compras. Em 2016, subiu para 1111. <_o3a_p>

Para além da recolha na rotunda do Papa, o grupo do largo da Portagem vai manter-se, mas para evitar que os carros artesanais (como arcas ou frigoríficos com rodas, que também são utilizados pelos estudantes) vão parar ao rio. “Quando o Não Lixes chegou a Coimbra, eles atiravam tudo ao rio, filmavam a batiam palmas”, recorda, lamentando que a utilização de carrinhos se tenha estendido a cidades como Aveiro e Porto. “Então há cursos de direito que dizem aos caloiros para furtar?”, questiona, apontando a contradição. “Não faz sentido criar jovens no ensino superior sem consciência ambiental”. <_o3a_p>

Na segunda-feira à noite, o movimento reuniu com várias entidades para voltar a discutir formas de diminuir o lixo no chão durante o cortejo. Outra das medidas defendidas pelo Não Lixes é a uso de canecas reutilizáveis. Segundo Fernando Jorge Paiva, os núcleos de estudantes presentes comprometeram-se a espalhar a mensagem aos seus colegas. Na nota enviada à imprensa, o movimento refere que este é um hábito criado pelos estudantes recentemente, o que não é o mesmo que uma “tradição”.<_o3a_p>

 Na reunião estiveram representantes da Associação Académica de Coimbra, da Associação de estudantes da Escola Agrária, da Câmara Municipal de Coimbra, da PSP e de duas cadeias de hipermercados com estabelecimentos na cidade. Fernando Jorge Paiva refere que a reitoria, que foi convidada a participar, “devia ter um papel nisto”, uma vez que o Não Lixes é “um movimento que está a tentar melhorar a imagem de Coimbra. <_o3a_p>