Famalicão está pronta para o seu novo Close-up

O Close-up, que, em vez de festival, gosta de se apresentar como observatório de cinema, está de volta a Famalicão de 14 a 21 de Outubro. É o segundo episódio, dizem eles, que terá réplicas ao longo do ano que se segue.

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O Homem da Câmara de Filmar, de Dziga Vertov, será musicado ao vivo pelos Sensible Soccers

O Close-up, que foi buscar o nome ao filme homónimo que o iraniano Abbas Kiarostami lançou em 1990, está de volta para a segunda edição. Ou melhor, o segundo episódio, como se apresenta. De 14 a 21 de Outubro, a Casa das Artes de Famalicão volta a ser palco deste festival que, por não ter parte de concurso, não é como os outros festivais portugueses e prefere apresentar-se como observatório de cinema. E depois há prolongamentos, as chamadas réplicas, que, como na edição anterior, ao longo do ano que se segue, normalmente de dois em dois meses.

São, ao todo, 40 sessões, que incluem filmes-concerto na abertura e no encerramento. O Homem da Câmara de Filmar, de Dziga Vertov, será musicado ao vivo pelos Sensible Soccers, a banda de Fornelo dada àquilo a que um dia se chamou pós-rock, enquanto o rock instrumental dos Dead Combo de Tó Trips e Pedro Gonçalves musicarão três curtas-metragens de 1927 de Reinaldo Ferreira, que foi imortalizado com o nome Repórter X: Rita ou Rio, Vigário Sport Club e Hipnotismo ao Domicílio.

Também haverá espaço para o cinema de Andrei Tarkovski e Wim Wenders, bem como de David Lynch, retrospectivas que já foram vistas em Lisboa e Porto mas ainda não nesta parte do país, a antestreia de O Espectador Espantado, a mais recente experiência de Edgar Pêra em 3D e As Acácias, do argentino Pablo Giorgelli, que se estreou no Festival de Veneza deste ano e lida com o que acontece a uma rapariga após ter sido violada, e a estreia de Armindo e a Câmara Escura, de Tânia Dinis, uma encomenda do próprio Close-up, que tem também direito a exibir várias das suas curtas-metragens. Há também actividades para escolas, professores e famílias.

Outros filmes portugueses incluem, entre curtas e longas, Longe, de José Oliveira, Volta à Terra, de João Pedro Plácido, Traces of a Diary, de André Príncipe e Marco Martins, Penúbria, de Eduardo Brito, O Dia do Meu Casamento, de Anabela Moreira, Terceiro Andar, de Luciana Fina, Eldorado XXI, de Salomé Lamas, A Vingança de uma Mulher, de Rita Azevedo Gomes, Talvez Deserto, Talvez Universo, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes. No caso de todos estes nomes, exceptuando Rita Azevedo Gomes, Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes, os próprios realizadores estarão no Close-up a comentar os seus filmes, tal como os já mencionados Edgar Pêra e Tânia Dinis.

De fora desta primeira parte do segundo episódio do Close-up fica a retrospectiva de curtas-metragens da dupla portuguesa André Santos e Marco Leão, avançada pelo Ípsilon em Maio, que, segundo o organizador, Vítor Ribeiro, está prometida para uma das réplicas.