Candidata independente põe fim a 40 anos de PS em Vila do Conde

PS não renovou o apoio a Elisa Ferraz, como aconteceu há quatro anos, e viu a liderança da autarquia fugir-lhe.

Mário Almeida
Foto
Mário Almeida Nelson Garrido

A tradição quebrou-se em Vila do Conde. Elisa Ferraz, que se candidatou como independente, garantiu a presidência da Câmara por mais quatro anos, uma vitória conseguida sem o apoio do PS, que, na sequência de divergências com a actual autarca, apresentou um candidato próprio.

A candidata, que ainda pode conseguir a maioria absoluta, vencia por 46%, contra 32% do PS, quando se encontravam apuradas cerca de 50% das freguesias.

Com o slogan "Nau, nós avançamos juntos", Elisa Ferraz vai iniciar nova travessia de quatro anos na liderança do concelho. O resultado eleitoral representa uma derrota para o PS, que quebra um domínio de 40 anos de liderança autárquica, perdendo a Câmara para a candidata que o próprio partido apoiou e elegeu há quatro anos.

A decisão do PS de Vila do Conde, presidido por Mário de Almeida, de apoiar um candidato próprio, António Caetano, actual vice-presidente da autarquia, dividiu os militantes, o que terá levado ao aumento do número de eleitores. Às 20h ainda se votava na mesa de voto junto à Câmara Municipal (apenas para os eleitores que às 19h ainda aguardam pela oportunidade de votar).

António Costa, secretário-geral do PS, apoiou a decisão da concelhia do PS, liderado por Mário de Almeida, que presidiu à autarquia durante 32 anos. “Não reescrevemos a história, nem excluímos ninguém, mas o PS não é de uma só pessoa”, declarou o primeiro-ministro, em deslocação recente ao concelho.

A visada nesta declaração era Elisa Ferraz, a candidata que aceitava concorrer com o apoio do PS desde que pudesse escolher os seis primeiros elementos da lista, os 17 primeiros à assembleia municipal e ser uma voz activa na escolha dos candidatos às juntas de freguesia.

Elisa Ferraz, com 67 anos, licenciada em Química, prometeu, no seu programa eleitoral, diminuir a dívida da autarquia e aumentar os apoios sociais.

A candidatura do PSD/CDS-PP foi a terceira mais votada, seguindo-se a da CDU e a do Bloco de Esquerda.