Fernando Medina celebra em Lisboa, ainda sem saber a dimensão da vitória

O autarca socialista venceu as primeiras eleições a que se apresentou e garantiu que, mesmo com maioria absoluta, quer entendimentos à esquerda.

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Medina apareceu já tarde, quando os resultados estavam mais consolidados, mas ainda sem certeza da maioria absoluta Nuno Ferreira Santos

A noite já ia avançada quando os primeiros sinais de entusiasmo tomaram conta da sala onde Fernando Medina celebrou a sua primeira vitória eleitoral, este domingo. O candidato do PS a Lisboa esteve longe dos olhares de apoiantes e jornalistas desde antes das 20h até depois da meia-noite, embora as primeiras projecções já lhe dessem vitória folgada.

Esses primeiros números foram recebidos com absoluto silêncio pelas poucas pessoas que então estavam na sala, cuja única reacção mais audível foi de espanto perante a possibilidade de Teresa Leal Coelho, do PSD, poder ficar em quarto lugar, atrás de João Ferreira, da CDU.

A alegria foi chegando a espaços, ainda assim relativamente contida, à medida que do outro lado do telefone se transmitiam as mais recentes novidades sobre a contagem de votos. Já perto da meia-noite, Helena Roseta subiu ao palco e anunciou a conquista, “mais uma vez e ao fim de dez anos”, da câmara, da assembleia e da “maioria das freguesias”. Uma das juntas era um tradicional bastião do PSD: Avenidas Novas, que agora passou a ter liderança socialista.

Fernando Medina apareceu quase uma hora depois, até deixou António Costa à espera na plateia. “Obrigado, Lisboa. Obrigado pela confiança, pela responsabilidade e pelo privilégio. Obtivemos hoje em Lisboa uma grande vitória”, disse o autarca, pela primeira vez eleito para o cargo. À hora em que falou ainda não era certo se o PS teria maioria absoluta, mas Medina garantiu que, mesmo que ela fosse alcançada, estaria disponível para falar com os outros partidos. “Qualquer que seja o resultado, nós procuraremos alargar a base política no sentido de termos mais apoio para as políticas que vamos concretizar”, disse, sublinhando o óbvio: que as convergências à esquerda são mais fáceis de alcançar.

No discurso de celebração, Medina não esqueceu António Costa, sentado na primeira fila, que elogiou por ter resgatado “a cidade da bancarrota e do descrédito internacional”. Repetiu depois uma das frases mais constantes da sua campanha: “Cumprimos aquilo que prometemos e nunca prometemos aquilo que sabíamos que não podíamos cumprir.”

À hora de fecho desta edição faltava apurar ainda os resultados de mais de metade das 24 freguesias da cidade. O PS seguia na frente com 42% dos votos e o CDS estava em segundo lugar, com 21%. O PSD, ao contrário do que apontavam as projecções iniciais, era a terceira força política (com 11,1%), logo seguido pela CDU (com 9,7%). O Bloco de Esquerda, com 7,41%, garantira já um resultado muito melhor do que o obtido em 2013 (teve 4,6%).

Perante este cenário, Fernando Medina adoptou uma postura conciliadora. “A governação da cidade é feita do reconhecimento das diversidades”, afirmou, acrescentando que “Lisboa Precisa de Todos não é um slogan político, é uma afirmação política.”

Além de reconquistar a câmara, o PS assegura também a governação da maior parte das freguesias da cidade. Estrela, Belém, Santo António e Areeiro continuam a ser lideradas por executivos do PSD, enquanto Carnide se mantém nas mãos da CDU. Os socialistas afirmam que também obtiveram maioria na assembleia municipal, embora isso ainda não fosse claro no fim da noite eleitoral.

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