Isaltino: “O poder não é a cadeira, o poder é a capacidade para ouvir as pessoas”

Candidato independente repete maioria absoluta em Oeiras no regresso às lides políticas depois de cumprir pena de prisão. “Esta é talvez a candidatura mais independente de Portugal porque ela nasceu do povo.”

Isaltino fez a festa rodeado por centenas de apoiantes
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Isaltino fez a festa rodeado por centenas de apoiantes ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Quando Francisco Gonçalves, director de campanha da candidatura de Isaltino Morais a Oeiras, disse pouco depois das 20h que ainda era tempo de aguardar “com serenidade a continuação da contagem e a confirmação dos resultados, já os apoiantes se antecipavam e exultavam perante as primeiras projecções que apontavam para "a grande vitória" que o candidato agora regressado viria a referir.

Mas foi só pelas 22h30, quando Isaltino Morais chegou, que a sala explodiu num cântico de festa ao som de “Isaltino olé, Isaltino olé”, com palmas e apitos à mistura. O presidente reeleito da Câmara Municipal de Oeiras chegou num carro com tochas verdes e, tão compacta era a multidão que desejava acolhê-lo, demorou a chegar ao púlpito de onde falou, depois de chamar para junto dele todos os elementos da equipa que abraçou ou beijou, um a um. “A vitória já a tivemos e é uma grande vitória”, disse, para acrescentar que “a democracia, a tolerância e a vivência democrática” estão bem presentes “no espírito e na vontade dos oeirenses”. Lembrou a “dura campanha”, em que muitos disseram o que queriam e o que não queriam. “O poder não é a cadeira. O poder é a capacidade para ouvir as pessoas. É isso que nos propomos fazer”, disse, considerando depois não ser este o momento para “intervenções programáticas” mas sim para “expressar o reconhecimento aos oeirenses”.

“Esta é talvez a candidatura mais independente de Portugal porque ela nasceu do povo”, afirmou, referindo-se aos apoiantes, muitos sem ligação a quaisquer partidos, que andaram nas ruas a recolher assinaturas, “muito antes” de Isaltino “expressar essa vontade”, disse. “Esse núcleo de pessoas recolheu milhares de assinaturas. Eu não convidei ninguém. Aqui foi verdadeiramente a democracia participativa a funcionar.” E continuando a falar para os apoiantes, que batiam palmas, ao lado dos membros da sua nova equipa, enfatizou: “A maioria dos que integram esta candidatura nunca tiveram experiência política. É uma geração nova e é a prova de que o poder local é a expressão máxima da democracia participativa.”

Ainda antes de Isaltino dizer “vamos cumprir o que prometemos”, ou seja, “um novo ciclo de desenvolvimento”, já Inigo Pereira, candidato à União de Juntas de Freguesias de Carnaxide/Queijas, e Rui Teixeira, candidato à União de Juntas de Freguesias de Linda-a-Velha, Algés, Cruz Quebrada e Dafundo, diziam não estar espantados com o resultado acima do que haviam previsto as sondagens. “Nós, na rua, já sentíamos isto. Sentíamos muito apoio por parte das pessoas nas ruas”, disse Inigo Pereira.

E sobre o facto de a condenação judicial não ter afectado a popularidade de Isaltino, acrescentou: “Ele não teve outra alternativa se não voltar. Foi muito pressionado. As pessoas diziam que ele também era responsável pelo que não se estava a fazer. O concelho parou, os políticos fecharam-se nos gabinetes, estiveram pouco perto das pessoas.”

Também Rui Teixeira festejava com amigos e família que o cercavam de abraços. Entrou na política há apenas sete meses cativado pelo que diz ser “o projecto inovador, genial” do movimento de Isaltino Morais. “O projecto dele desafiou-me a entrar na política. Além de inovador, é um projecto de mudança e de progresso para o concelho.”

As várias salas e o átrio do Hotel Lagoas Park foram-se enchendo de apoiantes para festejar a maioria absoluta do candidato do movimento Isaltino – Inovar Oeiras de Volta. Pessoas de várias idades ou proveniências. O cabo-verdiano José Martins tinha na mão uma bandeira do movimento e na cabeça um chapéu com um autocolante de um retrato de Isaltino. “Este chapéu é de 2005”, disse. Foi esse o ano em que José Martins chegou a Portugal para viver em Oeiras. Foi nesse ano que começou a fazer campanha por Isaltino. Por várias razões: “Ele construiu e deu casas às pessoas, fez jardins, ele fez sempre um bom trabalho.” Mas também, disse, porque “ele não faz distinção entre brancos e pretos”, disse, sorrindo rodeado de amigos e familiares que também se juntaram à festa.

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