Theresa May quer unir os Conservadores dizendo-lhe que há "um futuro melhor"

No congresso dos tories, a primeira-ministra britânica tem que convencer que ainda é a melhor pessoa para dirigir o país e o partido.

Foto
Theresa May e o marido, Philip, à chegada a Manchester, sábado PHIL NOBLE/Reuters

A primeira-ministra Theresa May vai apresentar os seus planos para construir "um melhor futuro" para o Reino Unido no Congresso do Partido Conservador, que começa este domingo, esperando conseguir domar a rebelião interna sobre o rumo do "Brexit" e o resultado das legislativas de Junho passado.

Enfraquecida pela perda da maioria absoluta no Parlamento nessa eleição, que levou alguns pesos-pesados do partido a exigir a sua demissão, May vai tentar nostrar que ainda é a pessoa certa para liderar o partido e o país.

Vai apresentar a sua visão - a ideia de que há "um país que funciona para todos, não apenas para alguns privilegiados".

May fez esta promessa à porta de Downing Street quando se tornou primeira-ministra, há pouco mais de um ano, depois de o Reino Unido ter aprovado em referendo a saída da União Europeia - o seu antecessor, David Cameron, demitiu-se quando o "sim" ganhou.

Vai minimizar as divisões entre os ministros do seu gabinete devido às negociações do processo de divórcio com a União Europeia, que deram ao Partido Trabalhista, na oposição, munições para criticar um governo que se envolve em disputas internas. E vai partir para a ofensiva contra os trabalhistas, que estão a ganhar eleitores com uma simples promessa: governar "para todos, não só para alguns".

O Labour ficou em segundo nas legislativas, mas o seu resultado foi bastante melhor do que muitos esperavam. E o seu líder, Jeremy Corbyn, reforçou a sua autoridade dentro do partido.

“O nosso partido reúne em Machester esta semana, e a nossa mensagem é simples. Como Conservadores, a nossa visão é trabalhar para todos, não apenas para alguns privilegiados – precisamente a direcção que tomei quando me tornei primeira-ministra, no ano passado", disse May antes do início do congresso, que decorre a partir deste domingo.

"Percebo que se levantaram preocupações, sobretudo junto dos mais jovens, depois da desilusão dos resultados eleitorais do meu partido. Por isso, a minha determinação em responder a essas preocupações e de cumprir totalmente as promessas do meu primeiro discurso em Downing Street, é maior do que nunca", adiantou.

Após o tom triunfante do congresso dos trabalhistas, que se realizou na semana passada, May espera voltar a mobilizar milhares de membros que se sentiram defraudados com a péssima campanha, quando a líder foi apelidade de "Maybot", por passar o tempo a repetir, como um robot, as mesmas frases.

May depende agora de um pequeno partido da Irlanda do Norte para aprovar legislação no Parlamento, e as sondagens indicam que o Labour está a tornar-se uma ameaça crescente, o que tem levado os rivais internos da primeira-ministra a, por enquanto, não agirem contra ela.

May vai também esforçar-se por apresentar uma frente unida e ocultar as divisões na sua equipa governativa, apesar de se terem tornado evidentes as divisões quanto à estratégia do "Brexit", a visão quanto aos futuros laços com a Europa e a austeridade. 

"Esta semana vamos começar a construir a estrada para um futuro melhor para vocês [eleitores] e para as vossas famílias. Temos que conseguir o melhor acordo no 'Brexit', mas também temos que fazer alguma coisa para tornar o país um lugar mais justo para a classe trabalhadora", disse May. "E para os que estão a considerar as alternativas, temos uma mensagem clara. O Partido Trabalhista simplesmente não está apto a governar - já recuaram em promessas, por exemplo os empréstimos dos estudantes."

Muitos viram os seus salários estagnarem na última década, enquanto os preços aumentavam. O que ajudou o Labour a encurtar a distância em relação aos tories nas sondagens.

Membros do Partido Conservador dizem que May tem que voltar a mobilizar os eleitores e modernizar um partido que muitos dizem estar demasiado dependente dos eleitores mais velhos e das franjas no Sul de Inglaterra, que agora estão a ser alvo das campanhas do Labour.

"Esta semana em Manchester vão saber mais sobre o nosso plano para um país que funciona verdadeiramente para toda a gente", prometeu May.