EUA

Mayor da capital de Porto Rico acusa Washington de matar ilhéus por negligência

Dez dias após a passagem do furacão Maria, grande parte da população continua sem acesso a bens de primeira necessidade.
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Mantêm-se as filas para abastecimento de bens essenciais em Porto Rico LUSA/Thais Llorca

O Presidente dos EUA prometeu não poupar esforços para ajudar Porto Rico a recuperar dos efeitos do furacão Maria, mas a mayor da capital e maior cidade da ilha, San Juan, acusou o governo federal de estar "a matar” os habitantes com a sua ineficiência.

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Ao décimo dia após a passagem do furacão, grande parte dos 3.4 milhões dos porto-riquenhos (que têm nacionalidade norte-americana) continua sem acesso a electricidade, telecomunicações e bens de primeira necessidade, incluindo água. Carmen Yulin Cruz, a autarca de San Juan, afirmou que há mesmo crianças a beber água de lagos estagnados.

Na sexta-feira, Donald Trump elogiou os esforços de resgate na ilha, ecoando as declarações da secretária da Segurança Interna, Elaine Duke. "Tem sido mesmo uma boa notícia em termos da nossa capacidade de chegar às pessoas e limitar o número de mortes", disse a responsável.

"Raios, isto não é uma boa notícia. É uma notícia em que as pessoas estão a morrer. É uma caso de vida ou morte", disse Cruz na CNN. “Estamos a morrer e estão a matar-nos com a vossa ineficiência. Estou a implorar, a implorar a alguém que nos possa ouvir, que nos salvem da morte”, disse.

Já este sábado, Trump respondeu ao apelo. Com críticas. "Que falta de capacidade de liderança da parte da mayor de San Juan e de outros em Porto Rico que não conseguem pôr os seus funcionários a ajudar", escreveu no Twitter.

Na rede social, o Presidente acusou ainda os democratas de politizarem a crise: "A mayor de San Juan, que até há poucos dias era muito elogiosa, foi informada pelos democratas de que tem de ser desagradável com Trump".

Pelo menos 16 pessoas morreram na ilha em consequência directa da passagem da tempestade, sendo agora o auxílio às populações atingidas o maior desafio num território em que as infra-estruturas se encontram quase que totalmente destruídas, e em que o governo local se encontra fortemente endividado à banca.